terça-feira, 18 de abril de 2017

Translucência nucal: um marco do primeiro trimestre (e um palpite forte sobre o sexo)

Ultrasound of a pregnant woman

Maior alegria de uma mulher grávida é dia de fazer ultrassonografia. Não sei se para todas é assim, mas, se eu pudesse, faria diariamente semanalmente. Depois de tantos anos de perrengue e dificuldade para engravidar, o que mais quero é ver meus bebês e me certificar de que está tudo bem com eles. Como contei aqui antes de abandonar o blog, tivemos a primeira consulta com a obstetra no dia 10 de março, quando estava com sete semanas. Lá, ela já me deixou o pedido para a próxima ultra que precisaria fazer, a da translucência nucal (TN), dali a um mês. Como ela já é escolada em matéria de grávida, me passou também um outro pedido caso eu "não aguentasse" esperar a TN.

Eu, que não quero ser neurótica, disse para marido que nem ia fazer essa ultra antes da TN, que ia conseguir esperar e não cairia na paranoia. Mas aí foi se aproximando a data, me dando aquela saudade de ver meus babies, a angústia de verificar se estavam crescendo, o medo de estarem sendo prejudicados pelos meus fortes enjoos, as pessoas ao redor falando para eu marcar a ultra. Então na véspera, liguei para a maternidade, achando que não conseguiria horário e, para minha sorte, tinha havido uma desistência e consegui agendar para o dia seguinte, sexta, 24/3.

Como foi no meio da tarde, marido não pôde ir, mas minha mãe me acompanhou. E que decisão mais sensata foi fazer essa ultra, gente. Qualquer preocupação com neurose ou paranoia me abandonaram quando vi meus bebês se mexendo, já com umas carinhas bem mais crescidinhas, tão, tão lindinhos.

O embrião 1 passou de 1,1 cm na 7ª semana para 2,87 cm na 9ª semana

O embrião 2, que tinha 1,5 cm na 7ª semana, estava com 3,22 cm na 9ª semana
Eles quase dobraram de tamanho da 7ª para a 9ª semana e, mais impressionante de tudo, super se mexeram, o que foi muito emocionante de ver pela primeira vez. Escutamos também os coraçõezinhos e saí de lá muito satisfeita de ter marcado o exame, me achando zero neurótica.

Passados 18 dias, finalmente chegou o dia de fazer o exame da translucência nucal. Diz aí Baby Center:

Translucência nucal é uma medida tirada no ultrassom morfológico do primeiro trimestre, um exame de rotina. Seu principal objetivo é ajudar a detectar o risco de síndrome de Down e outras anomalias cromossômicas, além de problemas cardíacos. 

O objetivo principal da translucência nucal é medir um espaço específico na nuca do bebê, entre 11 e 14 semanas de gravidez. A partir de 14 semanas, não dá mais para fazer o exame, porque o espaço deixa de ser transparente na imagem do ultrassom.

Bebês que tenham alguma anomalia tendem a acumular mais líquido nessa região da nuca, por isso uma medida acima da média normal é considerada um possível indicador de algum problema. Durante o mesmo exame, também se verifica a presença do osso nasal. A ausência desse osso pode ser mais um indicador de anormalidade.

Ainda será cedo para detectar com certeza o sexo do bebê só pela imagem, embora ultrassonografistas experientes arrisquem dar um palpite, com precisão máxima de 80%.

Por todas as razões acima, estava muito ansiosa pela realização desse exame, que havia sido agendado com mais de um mês de antecedência em função da agenda da médica. Ela faz parte da equipe da minha obstetra e eu já a havia conhecido rapidamente no consultório. Não poderia ter ficado mais feliz com a escolha da médica para a realização desse exame. Muito atenciosa e doce, explicou tudo tim-tim por tim-tim: cada medida que ia fazendo, cada marcador identificado, cada pontinho que ia aparecendo na tela. O exame durou uma hora e meia, marido nervoso porque não acabava e, depois ele me disse, com medo que aparecesse algo negativo.

Mas não apareceu. Está tudo perfeito com nossos bebês. São três marcadores principais identificados durante a ultrassonografia (que aliás já foi feita quase toda por cima da barriga!):


  • Translucência nucal: é uma espécie de transparência na nuca cuja medida acima de um determinado número pode ser indicativo de algumas síndromes. No nosso caso, o espaço transparente estava com 1,2mm em ambos os fetos, o que é considerado adequado.
  • Osso nasal: a médica logo identificou a presença do osso nasal. A ausência deste osso é que pode levar a preocupações sobre síndromes.
  • Doppler do ducto venoso: esse foi o mais difícil de identificar, pois os bebês estavam em posições não muito favoráveis, se mexendo muito (💕). Esse ducto é um vaso super pequeninho cujo fluxo sanguíneo precisa ser medido. Mas a médica conseguiu fazer a medição e está tudo dentro dos padrões esperados.
Além disso, foi possível visualizar vários aspectos da anatomia fetal, como mãos, pés, falanges dos dedos, bexiga (já com xixi!), rins, estômago, cérebro (já todo perfeito divididinho, impressionante). Tudo me impressionou e me apaixonou, especialmente ver os bebês se mexendo. Que coisa mais encantadora que é isso. Abriram e fecharam as mãos, cruzaram as pernas, colocaram as mãozinhas no rosto, viraram de costas, de frente, de lado. Muito, muito lindo e emocionante de ver.

O feto 1 está com 6,42 cm!


O feto 2 está com 6,9 cm!
Até que a médica nos perguntou se iríamos querer saber o sexo ou seria surpresa (aparentemente mais e mais casais estão optando por não saber, o que acho bem legal, mas não tenho coragem, hihi). E aí ela deu o primeiro palpite.


E depois o segundo palpite...


Duas meninas! Duas meninas! Que alegria. Sabemos que ainda não é 100% certo, mas já estamos comemorando. Se depois outra coisa se confirmar mais pra frente, tudo bem também, porque o mais importante é que nossos bebês estão saudáveis e tudo está correndo bem. 

sábado, 15 de abril de 2017

12 semanas e três dias

Um mês inteirinho sem escrever no blog. Toda vez que pensava em abrir o computador ou até mesmo em escrever no bloco de notas do celular, o mal-estar me impedia e eu preferia ficar deitada descansando. Na última quarta-feira, dia 12/4, completei 12 semanas de gestação. Pensei em recapitular semana a semana como foram meus sintomas, mas acho que nem vale a pena, porque basicamente se resumem a muito enjoo, vômitos e mal-estar.

Começaram por volta da 5ª semana. Vômitos ao menos duas vezes ao dia - alguns dias chegaram a cinco vezes - muita sensação de mal-estar e indisposição. Não tinha vontade de fazer nada, absolutamente nada, até para ficar deitada vendo televisão me sentia indisposta. Parecia que estava doente. Algumas vezes chorei por não aguentar mais estar me sentindo tão mal. Queria estar radiante, sorridente, animada, já pensando em arrumar coisinhas, pesquisando pela internet o que comprar etc. Mas a verdade é que não consegui.

Fiquei intolerante a cheiros. O cheiro da minha roupa lavada me enjoa (o que sempre adorei), o desodorante do meu marido me desespera, é impossível abrir a geladeira sem ter ânsia de vômitos - das poucas vezes que me forcei tive que correr para o banheiro -, não suporto ficar perto de coisas de papel (especialmente caixas de papelão, embalagem de papel de pão), acho horrível o aroma da comida sendo preparada pelos vizinhos (o que costumo sempre achar bom e melhor do que o da minha própria casa), tive que trocar de sabonete por um com menos perfume e também parei de usar qualquer tipo de perfume - o que para mim sempre foi equivalente a sair de casa pelada.

Perdi o ânimo de me arrumar, passar maquiagem, lavar e arrumar meu cabelo (os cremes que uso, geralmente tão cheirosos, também passaram a ficar difíceis de tolerar), até brinco eu parei de colocar (mais uma equivalência a sair sem roupa).

Tive a sorte de ficar de férias praticamente da 5ª à 10ª semana, quando, enfim, foi preciso voltar a trabalhar. Retornaria numa segunda e, já na terça, teria uma viagem a trabalho de três dias para a qual estava me sentindo super insegura. Não queria ir. Então decidi ligar na semana anterior e contar para minha chefe (que sabia por alto que eu fazia tratamento): ela não só foi muito compreensiva e carinhosa, como disse para eu não viajar e ainda ficar de casa na primeira semana. Ela diria à equipe que eu tinha feito um procedimento e precisava ficar de repouso. Assim foi feito e foi ótimo, pois passei bastante mal a semana toda, vomitando cerca de três vezes por dia.

Na semana seguinte eu voltei a trabalhar fisicamente, mas chegando um pouco mais tarde (devido ao enjoo matinal) e saindo, quando dava, um pouco mais cedo pra evitar o trânsito. No trabalho sobrevivi comendo tic-tac o dia inteiro e me alimentando a cada duas horas. Aliás, estar sempre com uma bala na boca alivia minha náusea, o que possivelmente vai me custar uma cárie, porque nunca comi tanta bala na vida. Curiosamente, não vomitei nenhuma vez lá, nem na rua ou no transporte (ainda bem!), mas cheguei em casa vomitando vários dias.

Como meu enjoo é tão forte, acho que acabou ofuscando os demais sintomas. Meus seios não estão doloridos e nem inchados, apenas coçam bastante. E já acho que estou barrigudinha, mas as pessoas no transporte público ainda não, pois ninguém me cedeu o lugar, por mais carinho que eu faça na barriga para chamar atenção.

Agora que completei 12 semanas, a indisposição e o mal-estar estão começando a melhorar. O enjoo e os vômitos continuam, mas ontem consegui até ir ao shopping comprar umas coisinhas para a casa nova. Ah sim, durante as férias nos mudamos também para um apê maiorzinho - daí minha intolerância ao cheiro de caixa de papelão, imagino - e eu não tinha conseguido arrumar nadinha...

Estou torcendo muito muito muito para que comigo aconteça como com a maioria das mulheres cujos enjoos desaparecem após as 12 semanas. Tenho medo verdadeiro de me enquadrar na minoria que passa a gravidez inteira enjoada. Mas acho que estou conseguindo melhorar. Só de ter conseguido sentar e escrever no computador já fico mais feliz.

Mas o mais importante de tudo é que os bebês estão se desenvolvendo bem, crescendo direitinho e lindinhos conforme o esperado. O próximo post será sobre o exame da translucência nucal.


terça-feira, 14 de março de 2017

A primeira consulta com a obstetra

Pregnant Woman

Chegou na última sexta-feira o dia pelo qual estava tão ansiosa: a primeira consulta com a obstetra. Marido e eu de férias, chegamos com tranquilidade e sem correria ao consultório. Esperamos cerca de 15 minutos e a médica, quando nos chamou, se desculpou pelo atraso e disse que não é de praxe. Já gostei dela! Ao longo da consulta isso foi apenas se confirmando.

Contamos nossa história nos últimos quatro anos e ela foi nos fazendo perguntas: primeiro para mim e depois para o marido. Como a clínica já havia me passado os pedidos de exame de sangue, levei todos os resultados que havia colhido no início da semana, o que agilizou bastante. Todos os meus exames estão bons e dentro do esperado para a fase atual de gravidez (sete semanas). 

A médica explicou um pouco como funciona o pré-natal para uma gestação gemelar. Nos veremos mensalmente até a 27ª semana e, a partir da 28ª, as consultas passarão a ser quinzenais. Quando é só um bebê, as consultas tornam-se quinzenais a partir da 34ª ou 36ª semana, se não me engano. Algumas dessas consultas serão apenas com a enfermeira obstetra da equipe. Como são dois bebês, precisamos acompanhar bem de perto e monitorar riscos como pré-eclâmpsia e diabetes. 

Ela também disse que meus enjoos são normais e um bom prognóstico. E me tranquilizou ao dizer que, nessa fase, minhas trocas com os bebês ainda são muito pequenas, por isso não é grave que eu esteja me alimentando só de junk food e biscoito água e sal. Mas recomendou que eu procure uma nutricionista. Disse também que é bom eu estar de férias, pois assim posso fazer repouso, o que melhora o enjôo.

Sobre parto falamos apenas muito rapidamente. Mas um dos motivos para eu ter procurado essa médica especificamente foi saber que ela é pró parto normal. Ela confirmou o que já sabíamos: que parto normal de gêmeos é um pouco mais difícil, mas está longe de ser impossível e que podemos, sim, pensar nisso. Mesmo que não seja possível na hora H, fico satisfeita de estar sendo acompanhada por uma médica que vai tentar fazer com que o parto seja normal. O esquema de trabalho dela é bem interessante: uma equipe de sete obstetras que atuam juntas e coordenam as datas de suas pacientes, o que permite que verdadeiramente possam realizar o parto normal - caso alguma das médicas tenha um imprevisto ou uma complicação em outro parto, alguém da equipe poderá substitui-la. Inclusive conheci uma outra médica da equipe no dia da consulta e gostei muito dela também. 

Fui examinada e fisicamente está tudo bem também, minha pressão está baixa. E o melhor de tudo é que ela fez uma ultra e pudemos escutar de novo os batimentos dos corações dos nossos bebês e saber que eles estão bem crescidos. Em uma semana, saltaram de 7 mm para 1,5 cm e de 6 mm para 1,1 cm. Impressionante como a evolução é rápida. <3

A próxima ultra que preciso fazer é a da translucência nucal - aquela que mede o tamanho da nuca do bebê entre 11 e 14 semanas e detecta a presença do osso nasal, ajudando a identificar possíveis síndromes. Já está marcada para o dia 11 de abril (o plano cobre, ufa!), quando estarei com 12 semanas. Mas a médica deixou um outro pedido de ultrassom para o caso de não aguentarmos esperar até lá para ver se está tudo bem com nossos babies. Vou tentar me segurar, mas é bom ter esse pedido na manga também. 

Saímos da consulta bem seguros com a escolha de nossa médica. 

terça-feira, 7 de março de 2017

Enjoo, muito enjoo

As cólicas assustadoras já não dão mais as caras. Foram só três dias para me deixar bem apavorada, e depois se foram, dando lugar a um enjoo perene, que dura 24 horas por dia e não me abandona.

Estou me esforçando bastante para não reclamar, porque estar grávida é tudo que eu mais desejei, mas não está sendo fácil. Porque não é um enjoo matinal, sobre o qual a gente sempre escuta falar, é mesmo um enjoo que dura o dia inteirinho. E estou vomitando também. Desde ontem, duas vezes ao dia, além de eu passar diversos momentos me segurando, respirando fundo.

Com isso, como já comentei, minha alimentação está bem horrível. Mal estou conseguindo beber água - me enjoa demais - e não estou conseguindo fugir da Coca-Cola - que pra mim sempre foi remédio para enjoo/ressaca. Mas até a Coca, que me aliviava um pouco, está começando a me enjoar. Sinto vontade de comer apenas coisas salgadas e gordurosas tais como nugget do Mc Donald's (juro!), lasanha, harumaki de camarão, pizza, massa e empadões. E não consigo comer grandes quantidades, o que até que tem seu lado bom.

Comecei tomando Dramin B6, que não adiantou nada, mudei pro Plasil, que não fez nenhum efeito e há três dias estou no Vonau (#aloconfeiteira!), que traz um pouco mais de alívio, mas não faz nenhuma mágica. É um comprimido que deve ser dissolvido na ponta da língua e tem um gosto bastante horroroso, que muitas vezes só piora minha náusea.

Hoje, que foi um dia especialmente ruim, já fiquei achando que poderia estar com a tal da hiperêmese gravídica, o problema que acometeu a princesa Kate, mas meu irmão e minha prima, que são médicos, me convenceram que não tenho.

"A ocorrência de náuseas e vômitos ocasionais até cerca de 14 semanas de gestação é chamada emese gravídica, e pode ser considerada normal. Sua forma grave, a hiperêmese, ocorre em 0,3 a 2% das gestações, com vômitos persistentes que obrigam ao jejum forçado e levam à perda de peso. A maior parte das pacientes apresenta melhora a partir da segunda metade da gestação, mas em alguns casos o quadro clínico pode persistir até o parto.

DIAGNÓSTICO DA HIPERÊMESE

  • Vômitos incoercíveis antes de 20 semanas de gravidez.
  • Perda de peso corporal (4% a 10%).
  • Sinais de desidratação grave.
  • Distúrbios hidroeletrolíticos.
  • Cetose.
  • Cetonúria.
  • Alterações laboratoriais"

O que pareço ter mesmo são dois bebês se desenvolvendo bem e fazendo minhas taxas de progesterona irem nas alturas - aliado ao fato de eu ainda estar tomando complemento de progesterona três vezes ao dia!

Agradeço a sorte de estar de férias. Não consigo vislumbrar como seria trabalhar nessas condições. Não estou com vontade de fazer nada, quando vou à rua logo me sinto mal, fico com vontade somente de ficar deitada, durmo de tarde... Mas vai melhorar, eu sei que vai melhorar. Preciso apenas ter um pouco de paciência porque tudo isso vale muito a pena.

sábado, 4 de março de 2017

Tum, tum, bate coração

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Filhos, hoje eu ouvi o coração de vocês. Vocês, que estão com 6 semanas de vida e 6mm e 7mm cada um, ainda são menores que um caroço de feijão, mas já têm um coração batendo dentro de vocês, dentro de mim. Como seu pai falou, hoje eu tenho três corações. Mas acho que tenho bem mais do que isso a medir pelo amor que irradia.

Foram poucos segundos escutando o barulhinho do tum-tum-tum. Queria que o médico tivesse deixado a gente ouvir por 10 minutos. Mas o que ouvimos foi o suficiente para nos deixar aliviados - está tudo bem, vocês estão crescendo, mais do que dobraram de tamanho desde a semana passada, os batimentos estão no ritmo esperado - e nos encher de amor.

Não sei como vou sobreviver sem fazer uma ultra a cada semana, sem ouvir vocês e me certificar de que está tudo correndo bem. Se não fosse passar atestado de neurose, juro que fazia uma ultra a cada sete dias. Mas vamos tentar manter o controle.

"Oi, tum, tum, bate coração
Oi, tum, coração pode bater
Oi, tum, tum, tum, bate coração
Que eu morro de amor com muito prazer
Porque o que se leva dessa vida, coração
É o amor que a gente tem pra dar"

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Um mais um é sempre mais que dois

Sexta-feira, véspera de carnaval e de férias, consegui agendar a ultrassonografia para as 17h. Acabou sendo ótimo, porque o local estava super vazio e foi bem tranquilo. Fui em um centro coberto pelo plano, com um médico indicado por uma amiga e, mal ele começou a fazer o ultrassom, já apareceram de cara duas manchas!





Sim, são dois! Dois! Gêmeos! Dois sacos gestacionais e duas vesículas vitelínicas, com dois embriões ainda muito, muito pequeninos, mas cujos corações já pulsam. Por ser muito cedo, não deu para ouvir os corações, mas pudemos ver na tela uma pulsação. Não fiquei preocupada por não termos escutado os batimentos, pois sabíamos que, com 5 semanas, era muito provável que não fosse possível e o ultrassonografista nos tranquilizou quanto a isso.


Tenho dois seres mais ou menos do tamanho de uma cabeça de alfinete pulsando dentro de mim. Nem nos meus sonhos mais loucos eu imaginava engravidar de dois - como sempre foi tão difícil, achava que, quando conseguisse, provavelmente seria um só. Estou radiante com a notícia, mas com bastante medo também, pois sei que uma gravidez gemelar apresenta mais riscos, especialmente nessa fase inicial.

Estávamos com planos de fazer uma viagem de carro no carnaval, mas esperamos fazer a ultra para ver o que a clínica orientaria. A médica de SP me ligou pouco depois de eu ter enviado o laudo e disse que achava puxado (seriam cerca de 7 horas de carro, é longe mesmo) e, embora não houvesse nenhuma contraindicação médica comprovada, ela sugeria que eu pensasse bem, porque eu poderia me sentir mal na estrada, ou ter alguma intercorrência lá e ter dificuldade para achar socorro. Eu já estava bem insegura com a viagem e, depois da opinião médica, marido se convenceu que não havia porque arriscar mesmo e decidimos ficar no Rio.

Ela me recomendou:

  • Usar repelente;
  • Usar filtro solar;
  • Evitar relação sexual até a oitava semana;
  • Não fazer exercícios físicos;
  • Não pular carnaval;
  • Evitar subir muita escada.
Então meu carnaval está sendo o menos carnavalesco de todos os últimos anos. Eu amo carnaval, mas realmente não vejo porque arriscar ficar horas em pé, debaixo de sol, sem lugar decente pra fazer xixi, me alimentando mal (muito embora isso esteja acontecendo em casa, já explico). Sem dor no coração (só um pouquinho, vai), abri mão de ir ao camarote na Sapucaí no sábado e no domingo - tínhamos ingresso pros dois - e não vi a cor de nenhum bloquinho. 

Para falar a verdade, desde sexta eu comecei a ficar bem enjoada. A sexta, que tinha tudo para ser um dia tranquilo só organizando as coisas pré-ferias, bombou no trabalho e eu com vontade de vomitar no computador, acabei tomando um Dramin B6. E assim continuei no sábado e no domingo, com muito enjoo, até tomar água me dá vontade de vomitar, assim como qualquer comida saudável. Não estou tolerando nenhuma salada e nem legume, as únicas coisas que consigo comer (e ainda assim, pouco), são comidas que deveria evitar, como massas e salgados. Eu, que amo doces, não estou conseguindo comer nada com açúcar - só um pouco de sorvete que alivia o enjoo porque é geladinho. Queria muito estar me alimentando bem, mas está difícil, gente...

Pelo menos as cólicas fortíssimas pararam, de vez em quando só sinto umas bem levinhas, que mal chegam a incomodar. 

Mas não estou reclamando de nada disso, apenas relatando como está sendo esse início pra mim. Na verdade fico até "feliz" de estar enjoada, pois sei que é um sintoma muito comum, especialmente em uma gestação gemelar. É sinal de que meus pontinhos de luz continuam aqui dentro e crescendo. Ontem à noite o enjoo passou e eu, juro, comecei a ficar preocupada. Mas hoje de manhã voltou com força. 

Vou repetir a ultrassonografia na sexta-feira a pedido da clínica. Embora o ultrassonografista tenha pedido para refazer em duas semanas, a médica que avaliou meus últimos exames pediu que eu repetisse essa semana. E claro que vou obedecê-la. Espero que já dê para ouvir os coraçõezinhos. 

Ah, também já marquei obstetra no dia 10 de março. Muito ansiosa por essa consulta.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Cinco semanas e cólica forte com hora marcada

Na madrugada de sábado pra domingo, acordei sobressaltada sentindo uma cólica muito forte. Que me fez chorar de dor. Sabia que podia tomar Buscopan composto, mas não tinha em casa. Marido liga pra farmácia 24h, que primeiro não queria entregar no nosso endereço, e depois disse que só entregava acima de R$ 20 - nervosa e com dor, falo pro marido pedir mais um desodorante, sei lá. Como a dor continuava, liguei pro telefone de emergência da clínica. Como sempre, uma enfermeira atenciosa me disse que era normal e que era pra eu tomar o remédio de 6h em 6h.

A farmácia chegou, tomei o remédio e a dor foi aliviando. No domingo fiquei basicamente de repouso em casa. E de domingo pra segunda tive uma noite tranquila. Mas de segunda pra terça E de terça pra quarta eu acordei na madrugada com cólica fortíssima. De ontem pra hoje eu contei no relógio e durou cerca de 20 minutos a dor intensa.

Na terça de manhã uma médica da clínica me ligou, depois que relatei que quase desmaiei na hora que levantei pra pegar o remédio. Ela me disse que era normal, que até 12 semanas eu posso sentir isso, que se tiver sangramento também é normal. Como só tive a cólica, me tranquilizou. Mas, quando se repetiu pela terceira noite, fiquei assustada e perguntei se não devia antecipar a ultra. Responderam que sim, então vou fazer nessa sexta (24/2) em vez de só dia 2/3. Sei que não devemos conseguir ouvir o coração, mas estou apreensiva com essas cólicas, então prefiro fazer logo.

Quero crer que é apenas meu útero distendendo-se para abrigar meu bebê, mas é que a dor é tão, mas tão forte, que me dá medo de ser algo errado. Não faço ideia de como seja a dor de uma contração de parto, mas se eu tivesse que chutar, diria que são como as dores que senti nas últimas madrugadas. O curioso é que a dor forte aconteceu mais ou menos no mesmo horário nas três noites, como se fosse a cada 24 horas. Quando o pico da dor passa, volto a dormir e fico o dia inteiro bem, somente com cólicas leves vez ou outra, mas bem leve mesmo. Se alguém tiver sentido isso ou souber de alguém que sentiu, me conta?

Comecei a sentir também um pouco de enjôo e estou me policiando pra comer a cada duas horas. Hoje fiz assim e fiquei bem menos enjoada. Continuo indo trabalhar de carro e não de metrô. Pode ser uma precaução boba, mas, depois de tudo que passei, prefiro prevenir.

Ah, era pra eu repetir o beta amanhã, mas fiquei com medo e me antecipei. Fiz hoje o exame e o resultado foi 35.247. Ansiosa pelo que vai dar pra ver na ultra de sexta.

ATUALIZAÇÃO: Na noite passada eu NÃO tive cólica. Estava até com medo de dormir e sentir novamente a dor. Mas consegui dormir bem. Espero que continue assim.