quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

O tempo não para, mas às vezes também não passa...

Clock002

Fiquei menstruada no último dia 22. Com isso, a previsão é de que o próximo ciclo comece no dia 18 de janeiro de 2017. Como meus ciclos não costumam variar muito, deve ser por aí mesmo, um dia antes ou depois talvez. Então já estamos começando a planejar a ida para SP. Ainda meio no escuro, pois não sabemos exatamente como será.

O médico disse que começará o preparo do endométrio assim que eu ficar menstruada em janeiro. Mas não sei se farei primeiro uma ultra aqui no Rio para checar as condições ou se já vou para SP começar tudo por lá.

Dessa vez vou tentar ficar o tempo inteiro em São Paulo para o tratamento. Ainda não sei bem como vou fazer, mas tenho umas folgas para tirar e acho que vou emendar com o feriado que tem no Rio dia 20 de janeiro.

As passagens estão baratas agora, mas não podemos demorar muito para comprá-las porque o preço sobe rápido nessa época do ano. Mas claro que dá aquele medinho de planejar tudo, comprar passagem, ver hospedagem etc. e as condições do endométrio não estarem ideais -  no ano passado tive tantos ciclos interrompidos que essa é uma questão que preciso sempre considerar. Já aprendi que em tratamentos de fertilidade não dá para planejar muita coisa. Porém precisamos de um planejamento mínimo a partir do momento que decidimos seguir o tratamento fora de nossa cidade. Ao mesmo tempo não podemos desperdiçar nenhum real caso seja preciso remanejar a viagem.

Meu endométrio nunca foi um problema. Inclusive sempre recebeu elogios por seu aspecto trilaminar e, exceto quando usava comprimidos para indução, costumava crescer de forma satisfatória, além de ter respondido bem ao Androgel quando precisei usar para acelerar o crescimento. Então, por um lado, estou confiante quanto a isso. Por outro, claro, estou com medo de ter alguma questão que me faça adiar mais uma vez o início de um tratamento.

Vou tentar ligar pra clínica hoje e ver se eles têm alguma orientação mais específica. Não sei se vou conseguir pois estão em recesso de fim de ano. Eu, por tantos milhões de motivos, quero apenas que 2016 acabe logo e que os dias voem até 18 de janeiro.

sábado, 24 de dezembro de 2016

All I want for Christmas

Tem tempo que o Natal já não tem muita graça pra mim. Bem antes de me tornar "tentante", já não vinha ligando muito pra data. Quando a gente cresce e a família é pequena, fica-se um bom tempo sem crianças e nessa época do ano a gente vê como isso faz diferença. A parte da família com pequenos mora longe e esse ano não nos reuniremos, infelizmente. Porque para mim são as crianças que dão significado a esses momentos. São a verdadeira renovação, trazem alegria e esperança.

Há cinco anos tudo que eu queria era poder dar mais uma criança para minha família. Achei que esse ano, finalmente, poderia estar grávida e dar essa notícia. Mas, mais uma vez, não rolou. Mais uma vez terei que engolir o choro. Nessas horas, a vantagem de se ter uma família pequena é que não preciso aturar pessoas com quem não tenho intimidade perguntando "quando vão ter filho/estão demorando muito/ não vão dar um netinho para seus pais?" e outras variações sobre o mesmo tema.

Mas mesmo que a presença física dessas pessoas não exista, é um tormento constante. Meu comigo mesma. Não preciso de ninguém me perguntando porque já vivo com essas questões internamente de forma permanente.

Tudo que desejo neste Natal é estar com um bebê no colo daqui a 365 dias. E desejo para todas as tentantes que consigam enfrentar os tempos festivos com força e serenidade. Que não sofram com possíveis comentários inapropriados. Que encontrem motivos para agradecer apesar de o maior desejo ainda não ter se realizado. Porque eles existem e a gente precisa reconhecê-los: um marido amoroso, uma família presente, um trabalho recompensador, a nossa saúde e dos que amamos. Desejo que esses tempos de reflexão possam trazer sabedoria para, quem sabe, tomar uma decisão diferente: inscrever-se para adoção, aceitar a ovorecepção, optar por mais uma tentativa de FIV.  Para aceitar que às vezes é necessário desviar um pouco o rumo para chegar no local pretendido. E que se for preciso se trancar no banheiro para chorar e respirar fundo ou desabar no travesseiro na volta para casa, saibam que não estão sozinhas. Estarei pensando em todas vocês. Boas festas a todas!

domingo, 18 de dezembro de 2016

Na hora do almoço

Hot Lunch

Há um tempinho, fiquei sabendo que uma colega tem dificuldades para engravidar - não sei os motivos, não sei a história, só tenho essa vaga informação. Considero vaga porque cada história de infertilidade é diferente - ela pode ter tentado 5 anos naturalmente, ter tido repetidos abortos naturais, ter feito 10 FIVs, ter feito uma IA, ter se submetido a uma ovodoação, ter retirado o ovário numa cirurgia, ter um marido vasectomizado, ter um marido com azoospermia, enfim, são inúmeras as possibilidades. E também porque soube dessa informação por uma terceira pessoa que não enfrentou problemas de infertilidade e, portanto, não faz ideia do que ela possa ter passado.

Dia desss, acabei indo almoçar com essa colega, que obviamente não faz ideia que eu tenho essa informação sobre ela, e mais outras duas pessoas. Como invariavelmente acontece quando há mulheres na faixa dos 30 anos envolvidas, o assunto girou em torno da maternidade. Como deve ser loucura chegar com um bebê em casa. Deve dar medo, né? E passou pra histórias de adoção. Porque a fulana tentou muito tempo engravidar, tipo 6 anos, e não conseguiu. A outra também tentou muito, mas não teve jeito. Acabaram adotando. Mas ainda tem aquela que adotou e, um ano depois, engravidou naturalmente. Acontece muito. É muito comum. É tão frequente.

Nessas horas você faz o que? Finge. Mente. Sorri amarelo. Faz de conta que adoção é algo que nunca passou pela sua cabeça. Que você nem imagina o que seja enfrentar problemas de infertilidade. Comenta sobre o programa de TV que abordava o tema. E fica mentalizando "vamos mudar de assunto, vamos mudar de assunto, está tão quente/frio, será que vai chover/fazer sol, já terminaram de ver a última temporada de black mirror/gilmore girls/lovesick?". Mas o tema permanece na mesa. A colega opina também. E você fica imaginando se ela está como você. Fingindo, torcendo pro assunto variar, se sentindo mal por, mais uma vez, num inocente almoço rápido de trabalho, estar sendo lembrada da sua dificuldade. E pensa em quantas mulheres não devem se sentir como eu, como nós. Silenciadas.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Tudo novo de novo

Chegou o e-mail que tanto esperávamos. A clínica nos enviou três perfis de doadoras de óvulos para escolhermos. Não sabia, mas os perfis vêm acompanhados de um questionário extenso respondido pela doadora. Nós dispensamos a foto, mas se soubesse talvez tivesse aberto mão dos questionários também. Que diferença faz se uma doadora prefere viajar para Veneza, enquanto outra tem o sonho de ir pra Disney? Se gosta mais de ver televisão do que de ler um livro? Se o tipo de filme preferido é comédia romântica e terror? O questionário vem até com um recado para os receptores - mas que diferença faz uma mensagem mais afetuosa? Você saberia o que dizer pra receptora dos seus óvulos? Eu não sei se saberia.

Achei essa sensação de escolher horrível. Será que vou sempre ficar pensando "e se tivesse optado pelo outro perfil?".

No nosso caso - e falo exclusivamente por mim e meu marido - acharíamos melhor receber somente o questionário das características físicas. Que na verdade nem importam tanto assim pra gente. Importa muito mais conseguir engravidar e gerar um filho saudável.

Então eu imprimi os três perfis, que imprimi e li e reli no metrô, com a mesma sensação de incômodo a cada vez. À noite, tive um nervous breakdown. Caí em prantos, questionei a decisão, achei que não estaria pronta. Fiquei com medo. Muito medo. De tudo.

Marido ficou triste, mas entendeu. No dia seguinte, me mandou um trecho de um blog que dizia isso:

"Na verdade, o filho idealizado, independente de ser biológico ou não, sempre será o filho irreal, como o próprio nome diz, é o filho ideal, que pertence ao mundo das idéias, e assim, nunca corresponderá ao real, de carne e osso.

O fato da criança ser fruto de ovodoação, se isso estiver bem trabalhado dentro do psiquismo dos próprios pais, em nada difere do filho biológico, afinal, o processo de filiação é puramente emocional, não se relaciona ao link genético, mas sim, à capacidade da pessoa conseguir dar àquela criança um lugar de filho.

Até mesmo os pais biológicos precisam adotar os próprios filhos (embora isso nunca seja falado)."

E eu concordo com tudo isso. De verdade, do fundo do meu coração. Ao longo do dia fui trabalhando melhor a ideia - que já vem sendo trabalhada há um tempo na verdade - e me acalmando. E decidi que ia sim seguir com essa opção.

Enviamos o perfil escolhido e, no retorno, um susto: o custo seria quase 4 vezes mais alto do que estávamos esperando. Porque se não bastassem todas as questões emocionais que envolvem esses processos (FIV, ovodoação, embriodoação etc.), ainda é preciso lidar com o lado financeiro da coisa, o que também não é nada fácil.  O susto de ver o valor foi tão grande porque, há dois meses, a clínica se enganou e nos mandou o custo de embriodoação como se fosse de ovodoação. E ficamos com esse valor na cabeça. 

Não tínhamos ideia que a ovodoação era um processo ainda mais caro que a FIV tradicional. Isso acontece porque arcamos com parte do tratamento da doadora - o que sabíamos, só não imaginávamos cifras tão altas, que realmente fugiam de nossa já totalmente esgotada capacidade financeira. Bateu um desespero, mas íamos tentar dar um jeito. Falamos com a clínica que entendíamos o equívoco, mas que isso havia "nos iludido" quanto ao real valor, que não tínhamos condições de pagar. Eles nos entenderam e concederam um desconto e, mais importante, facilitaram a forma de pagamento, permitindo parcelar em mais vezes. Para se ter ideia, nós ainda estamos pagando as FIVs de 2015 - só terminaremos em abril do ano que vem. É um orçamento familiar totalmente comprometido com esse projeto. Claro que muitas vezes bate um desespero por conta do vermelho no banco, além de uma revolta por esses tratamentos serem tão caros e não serem pagos ou reembolsados por planos de saúde nem disponíveis na rede pública. Sempre penso nas mulheres que querem e não conseguem engravidar e não têm condições financeiras.

Mas é hora de agradecer por nós sermos privilegiados e podermos dar um jeito, adiando outros planos como viagens e mudança para um apartamento maior e mais novo, para tentar, mais uma vez, realizar o nosso sonho de ter um filho. E hora de ficar piegas e reconhecer que na vida nem sempre tudo sai conforme o esperado, mas o importante é ir contornando as adversidades e encontrando meios para ser feliz.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Grupos de whatsapp: ter ou não ter, eis a questão

                  https://dribbble.com/shots/2740587-iPhoneiPhone

Eu tentei. Pelo menos duas vezes. Mas não consigo permanecer em grupos de whatsapp de tentantes/FIV. O primeiro que entrei foi por meio da site da primeira clínica, onde fiz três FIVs. Tinha bastante gente que fazia tratamento lá também e eram basicamente mulheres do RJ. Mas eram muitas mensagens por dia que não me faziam esquecer nem por um minuto que eu não conseguia/consigo engravidar. E era mais uma rede de apoio/motivação do que de troca de informações sobre os casos, o que realmente buscava. Como foi numa das minhas fases mais difíceis, acabei optando por deixar o grupo.

Quase dois anos depois, uma amiga querida virtual me sugeriu entrar novamente em um grupo. Dessa vez com meninas com mais experiência nos processos, muitas delas já tendo feito mais de uma FIV, como eu. Achei que valia a pena tentar. Mas não deu certo de novo. Eram muitas, muitas mensagens ao longo do dia - se ficasse uma hora em reunião, às vezes tinha mais de 300 quando eu voltava - e muitas conversas cruzadas, que me deixavam perdidinha. Não sabia a história de nenhuma delas e ficava tentando entender juntando os pedaços. Fiquei algumas semanas, mas acabei preferindo sair também. E voltar pro blog, onde dá pra acompanhar melhor as histórias - quando você esquece alguma parte, é só buscar no histórico.

Além disso, converso com algumas amigas blogueiras individualmente pelo whatsapp - e adoro! Pra mim tem funcionado assim. E vocês, curtem os grupos de zap?

terça-feira, 29 de novembro de 2016

A terceira via e o segundo sol

                     Sunset  in the boat

O último post ficou nos meus rascunhos por quase 20 dias. Realmente precisei dar um tempo do blog, de tudo. Na semana passada me atualizei rapidamente e já vi tantas boas notícias nos blogs das amigas tentantes. Que alegria! Escrever é a coisa que eu mais gosto de fazer e pretendo continuar atualizando o blog, mesmo que não consiga com tanta frequência. Sem contar que a rede virtual de solidariedade é incrível. Me emocionam todos os comentários, de meninas que nem me conhecem e estão torcendo por mim, mandando boas energias. É algo muito especial mesmo e com o qual não quero deixar de contar.

Há duas semanas tivemos uma reunião/consulta via Skype com a enfermeira do setor de Terceira Via da clínica de SP. Muito simpática, ela nos explicou um pouco mais detalhadamente todo o processo e esclareceu que existe sim uma fila de espera pela ovodoação - em novembro eram 87 casais - mas que não é necessariamente por "ordem de chegada", já que há outros fatores que são usados como critério. Se um casal asiático for o primeiro da fila, mas os óvulos doados disponíveis forem de uma mulher nórdica, eles serão destinados a um casal com esse perfil, mesmo que sejam os últimos da "fila".

É para casais com perfis mais específicos (asiáticos, nórdicos, indianos, por exemplo...) que o processo de seleção da doadora pode ser mais demorado e levar os tais seis meses que ela tinha comentado. No nosso caso, como estamos mais "na média" da população brasileira - pele morena, cabelos e olhos castanhos - costuma ser menos demorado.

A clínica começou o mês de novembro com 87 pessoas inscritas na fila para receber doação de óvulos. Até o momento, 20 já conseguiram um "match" e, em média, cerca de 40 por mês são contempladas com a ovodoação. Isso apenas numa clínica de São Paulo e em um mês. Multiplica por todas as clínicas do Brasil, soma com as do mundo e dá um número gigantesco de pessoas. Mas continua sendo um tabu, mundo afora.

Já preenchemos o nosso cadastro no mês passado e agora vamos aguardar o recebimento dos perfis que nos serão encaminhados. O setor de Terceira Via faz a seleção e envia para os candidatos de duas a três opções de dossiê de mulheres doadoras, que contém uma série de informações. Além das fenotípicas, outras como naturalidade e escolaridade. E, pasmem, há quem ainda parece acreditar na teoria de Lamarck e recusa perfis de mulheres nordestinas ou sem segundo grau completo. Definitivamente esse não é o nosso caso.

Inclusive, vamos optar por não ver a foto da doadora. Outra coisa que eu não sabia - e que também é diferente na embriodoação -  é que as fichas incluem uma foto da doadora quando criança. Achamos um tanto quanto esquisito esse procedimento. Sei que é improvável, mas vai que reconheço a pessoa? Não julgo quem precisa da foto pra fazer sua escolha. Mas pra mim é um pouco difícil entender o porquê dessa necessidade. Qual é a probabilidade de a criança da foto ser a "minha cara"? E outra: podemos ficar condicionados a achar que nosso filho será igualzinho à doadora criança. Sei lá, pode ser até que mude de ideia porque tudo muda tanto, mas, por enquanto, vamos dispensar a foto.

Outra questão que ainda desperta em mim muitas e muitas dúvidas é sobre contar ou não para as pessoas sobre a doação de óvulos, caso ela se concretize. Inclusive esse é um dos motivos pelos quais não mais atualizei o blog. Não consigo decidir o que farei caso consiga engravidar por meio da ovodoação. Por um lado, quero falar, ajudar (um pouquinho) a fazer com que isso deixe de ser um assunto Voldemort - aquele que não deve ser nomeado. Se não falar nada, já imagino os comentários "mas ele/a é a cara do pai", "não tem nadinha seu", "coitada, carregou 9 meses e saiu só a cara do pai" ou, ainda, caso não se pareça conosco "é filho/a do padeiro?", "não tem nada de vocês", "vocês eram assim quando nasceram? Mudaram muito." E por aí vai no rol dos comentários que costumam não importar pra maioria das pessoas.

Contando pras pessoas, talvez houvesse menos comentários desse tipo. Mas como é que faz isso? Faz uma tatuagem na testa? Bota um colar na criança? Posta no Facebook? Ou conta só pra familiares e amigos mais próximos e dane-se a opinião dos outros? Ou não conta pra ninguém? Pode ser caraminhola da minha cabeça, mas já imagino o carimbo do estigma.

Se optasse pela embriodoação, não teria dúvidas de que contaria para todo mundo - talvez não para aquela pessoa sem noção no meio da Lojas Americanas. Mas é mais fácil de explicar que adotamos um embrião do que falar que precisei de um óvulo doado. Ao menos pra mim. Pras outras pessoas que recorrem a alternativas pra conseguir engravidar eu não sei. Se sobre FIV ninguém fala, imagina ovo e embriodoação.

Tem horas - muitas horas - que cansa viver nesse mundo tão cheio de tabus. Queria dizer que vou ter coragem de, ao menos no meu universo, rompê-los. Porque a única coisa que importa verdadeiramente é o amor com que vamos criar nossos filhos. E que não interessa o que achem porque só eu e meu marido sabemos o que enfrentamos. Mas a verdade é que não sei se terei a coragem que gostaria.

domingo, 27 de novembro de 2016

Planos que não estavam nos planos

                                   Labyrinth

A vida é uma caixinha de surpresas, já diz o ditado-clichê. E se eu nunca imaginei passar por problemas de infertilidade, menos ainda pensava em tomar decisões alternativas para conseguir engravidar. Mas como, além de ser uma caixinha de surpresas, o mundo dá voltas, cá estou com um plano B e um plano C.

Na verdade o plano que agora é C chegou a ser o plano A, mas, bem, não é à toa que os clichês existem. Depois do último tombo, pensamos em desistir. Vimos que nosso embrião parou de se desenvolver no 5o dia, que realmente nossas chances são muito, muito pequenas. Eu e marido conversamos por telefone com o médico, que basicamente disse que poderíamos continuar tentando por nossa conta e risco, sabendo que as probabilidades de dar certo são ínfimas.

Eu, que inclusive já escrevi aqui que a ovodoação não era uma opção pra mim, aceitei algo visto por muitos como ainda mais radical - e menos falado: a embriodoação. Depois que vi uma reportagem sobre uma mulher que teve produção independente adotando embriões, fiquei refletindo muito. Pesquisei bastante e vi que é muito baixo o número de casais que optam por doar seus embriões excedentes e que, por isso, é enorme o número de embriões congelados nas clínicas - do Brasil e do mundo - que acabarão descartados ou congelados pra sempre. Geralmente o casal que disponibiliza seus embriões para doação é aquele que enfrentou muita dificuldade no processo e entende como poderá ajudar outras pessoas. É um gesto belíssimo. Mas não julgo quem não o faz - tudo que envolve a reprodução humana com a ajuda da ciência ainda é muito novo e complexo. Nós mesmos, na primeira FIV, colocamos no contrato que não doaríamos embriões excedentes. E hoje pensamos totalmente diferente: tudo que queria era ter muitos embriões para mim e para doar para quem também precisa.

Conversamos com o médico sobre essa opção, que nos explicou sobre a questão de o banco de embriões não ser muito extenso mesmo numa clínica de grande porte, e nos colocou em contato com a equipe de embriologia. Preenchemos um perfil bem genérico de nossas informações (peso, altura, cor, origem) e rapidamente tivemos retorno: encontraram dois embriões congelados com características semelhantes que poderíamos adotar.

Fiquei muito feliz! Assim quem sabe já poderia estar grávida em novembro, ainda em 2016.

Aceitei de coração mesmo essa opção e sei que ficaria plenamente feliz e realizada com meu filho (ou filhos) adotados e gerados por mim.

Só que, como tudo é muito complexo, ao mesmo tempo em que já me via grávida ainda esse ano, fiquei com algumas caraminholas na cabeça. E algo me fez repensar a ovodoação. O principal ponto foi imaginar um cenário bem radical em que meu filho nascesse ou tivesse alguma doença genética e que pudesse precisar de doação - de sangue, órgão ou medula. Nesse tipo de caso (raríssimo, eu sei, e tão provável ou improvável quanto numa gravidez natural) as clínicas são obrigadas a fornecer os contatos dos pais biológicos. Um cenário bem complexo e de muitas variáveis, que poderia ser "facilitado" pelo fato de o filho ter 50% do material genético do meu marido. Então foi pensando nisso que a ovodoação se abriu como uma possibilidade pra mim. Tenho que pensar no que é melhor para o meu filho.

Então escrevi pra embriologista que tão rapidamente encontrou os embriões congelados para adotarmos. Expliquei minhas razões, contando que ela compreenderia que tomar decisões desse tipo é algo muito difícil. E ela foi super compreensiva e gentil, nos colocando dessa vez em contato com o setor de Terceira Via da clínica - o que é responsável pela ovodoação.

Também rapidamente tivemos o retorno da enfermeira da Terceira Via, que nos enviou documentos e explicou um pouco sobre o processo. Dessa vez, ao preencher a ficha com nossos dados, anexamos também uma foto. A primeira frustração veio quando ela disse que o processo costuma levar de três a seis meses. Enquanto os embriões já estavam disponíveis para a adoção, agora teríamos que aguardar 1) uma mulher com características fenotípicas semelhantes optar por ser ovodoadora e 2) a fila, pois há muito mais mulheres aguardando para receber um óvulo doado do que para adotar um embrião.

Inicialmente isso me frustrou muito. Porque pode ser que só consigamos um óvulo depois de março do ano que vem, quando eu já tiver completado 34 anos. O que são mais seis meses para quem começou as tentativas com 29 anos? MUITO. É muito tempo. Caso dê certo e eu consiga engravidar pode ser que meu filho nasça somente em 2018.

Isso me deu realmente vontade de voltar atrás e permanecer com a opção da embriodoação. Eu não queria esperar tanto mais. Me imaginar talvez grávida ainda neste Natal acalentou meu coração. Mas depois me acalmei. Tudo isso está rolando há quase dois meses. Relutei em escrever sobre o assunto porque, como já repeti mil vezes, é tudo muito muito complexo e ainda tenho muitas dúvidas e questões. E pode ser que eu ainda mude de ideia. Até eu estar grávida com um bebê na barriga não digo que nenhuma decisão é definitiva.

domingo, 23 de outubro de 2016

O choro é (ou deveria ser) livre

No último fim de semana fui a uma festa, numa outra cidade. Apesar de não ter nenhum real pra contar história, resolvi fazer cabelo e maquiagem com uma pessoa que iria fazer de outras convidadas no local da festa. Costumo me arrumar sozinha e sempre tenho medo de ser produzida por uma profissional que não conheço, mas como todo mundo ia fazer, decidi arriscar. No fundo eu já sabia que me arrependeria. Mas não sabia que iria me sentir tão mal.

Não gostei do cabelo, não gostei da maquiagem: ela fez duas tranças em mim e deixou metade do meu cabelo, que é cacheado, solto, e eu fiquei parecendo uma daminha de honra, mas pra contrabalançar passou um batom vermelho vermelhaço vermelhante vermelhão e colocou uns cílios postiços de 3 metros. Eu gosto de batom vermelho, mas o tom fluorescente que ela escolheu não combinou nada comigo e, quando eu pedi pra ela escurecer, só foi ficando pior. Enfim, como já estava atrasada, aceitei como estava e, chegando em casa, tirei o batom, prendi a parte solta do meu cabelo e depois tirei os cílios postiços também. Ficou menos pior. Bem menos pior.

Mas eu já estava me sentindo horrível. E não consegui segurar o choro no meio da festa, enquanto ouvi as poucas pessoas que me viram chorando dizer que era uma besteira chorar por causa de uma maquiagem. Pode ser que seja. Mas há quatro anos me sinto horrível por dentro todos os dias e simplesmente não consegui fingir que estava tudo bem quando me vi no espelho e não me reconheci e nem me achei bonita. Não ser capaz de engravidar minou minha autoestima - e acredito que possa ser assim com muitas outras mulheres que passam por isso.

Há quatro anos que eventos sociais têm se tornado pra mim um martírio. O medo constante de que alguém vai fazer uma brincadeirinha comigo sobre ter ou não filhos, a angústia de que vão me fazer a fatídica pergunta e a certeza de que o tema maternidade vai surgir mais cedo ou mais tarde numa roda de conversa me tornam cada vez mais antissocial. Não me orgulho disso, tenho tentado melhorar, mas é assim que me sinto.

Porque, na maioria das vezes, eu engulo o choro. Mas nem sempre consigo. Por trás das minhas lágrimas, que podem parecer fúteis aos olhos alheios, tem uma mulher arrasada com o coração destruído.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

O revés de um parto

Arrancaram mais um pedaço de mim. A capacidade do ser humano - e minha também - de se reerguer, de acreditar, de manter as esperanças, é algo que nunca vai deixar de me surpreender. Mas acabou. Não adianta mais me iludir. Acabou. Talvez, se eu fizesse 15 FIVs como a moça do programa da TV, eu pudesse conseguir. Mas já foram cinco e minhas condições emocionais se esgotaram - sem falar nas financeiras. O que eu vou fazer? Deixar minha vida em suspenso todo mês pro resto dos meus dias? Viver em função da minha menstruação - torcendo para que não venha ou para que venha logo para dar início a um novo ciclo? Me endividar mais até perder de vista?

De um dia pro outro tudo muda. Se ontem ainda dava para enxergar o copo meio cheio, hoje ele se esvaziou quebrando-se em mil cacos de vidro e espalhando-se em lágrimas. 

Quando tocou o telefone, o tal do número desconhecido, eu estava no meio de uma reunião. Poderia ter pedido licença e atendido, mas um pressentimento me fez ignorar a ligação - fosse uma má notícia, com que cara eu ia voltar pra reunião? Deixaram um recado na caixa postal e eu retornei, respirando fundo de tanto nervoso, trancada na cabine do banheiro. A embriologista então disse: o embrião não evoluiu de ontem pra hoje, não cresceu nada, não é um bom embrião, não teria se desenvolvido no seu útero, não adianta congelar, não vale a pena fazer a biópsia. Não, não, não, milhões de nãos. De novo.

Trancada na cabine do banheiro da empresa eu chorei, agradeci o retorno e liguei pro marido. E quis ir embora pra minha casa, mas não fui. Respirei fundo e tentei encarar o resto da jornada de trabalho. Já não vim vários dias na semana passada, não queria deixar as pessoas especulando mais - porque já estão especulando inclusive que eu estaria grávida, como disse minha estagiária. E estou o contrário disso.

Recusei convite pro almoço e fui almoçar sozinha. Mas na fila encontrei uma colega e foi impossível dizer que não queria companhia. Ela percebeu e disse que eu "não estava no meu normal". Fingi que estava tudo bem, mas estava na minha cara.

Está na minha cara há quatro anos. Eu sigo fingindo, sorrindo amarelo, desinteressada em tudo e em todos, me reconhecendo cada vez menos em mim. Talvez isso esteja me deixando doente. A cada negativo morre uma coisa em mim. Queria ter forças pra pensar positivo, mas não consigo, simplesmente não consigo.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Copo meio cheio, meio vazio

Duality

Então chegou a segunda-feira, o quinto dia pós-fertilização, o D5. Como no sábado me ligaram por volta das 8h30, quando deu esse horário hoje já comecei a ficar nervosa. Então umas 9h e pouca tocou o telefone, aquele número desconhecido que dá borboletas no estômago. Corri pro banheiro da firma pra atender.

Era a embriologista da clínica, que informou que nosso embrião continuou evoluindo! Virou um blastocisto com cerca de 100 células! Conseguimos chegar ao tão temido D5. A má notícia é que, embora o número de células esteja dentro do esperado, o embrião não está "expandido" como serial o ideal. Assim, eles decidiram deixar crescendo por mais 24 horas, para ver se amanhã, no sexto dia, ele estará expandido e com as condições ideias seja para a biópsia, seja para o congelamento.

Eu perguntei se não poderíamos congelar logo hoje, no D5, mas ela explicou que, lá na clínica, eles apenas congelam se o embrião tiver com o número de células e formato adequado - a tal da expansão. Esse é o estágio ideal tanto para fazer a biópsia - caso decidamos por ela - quanto para congelar.

Segundo a embriologista, nosso embrião está um pouco abaixo do esperado para o dia de hoje, mas não é incomum que o embrião se expanda do quinto para o sexto dia. E aí eu, experiente em FIV mas inexperiente em blastocisto, aprendo mais uma coisa: pode existir blastocisto no D6. Nunca tinha nem ouvido falar, só lia sempre sobre D5.

Tentei em alguns momentos pesquisar pelo celular durante o dia de trabalho, mas não consegui avançar muito. Já se passaram 12 horas desde a ligação da embriologista. Faltam só mais 12. Fiquei feliz, bastante, por saber que nosso embrião teve a capacidade de chegar ao quinto dia. Mas é só amanhã que teremos uma resposta definitiva - caso não evolua, teremos o diagnóstico de que não era um bom embrião. Realmente o copo está meio cheio E meio vazio.

E por que é tão melhor o blastocisto? De acordo com a American Society of Reproductive Medicine são quatro razões principais:

  1. Maiores taxas de implantação;
  2. Oportunidade de selecionar os embriões mais viáveis para a implantação;
  3. Diminuição potencial do número de embriões transferidos (o que restringe as chances de gravidez múltipla, mais arriscada);
  4. Melhor sincronização entre o estágio de desenvolvimento do embrião e do endométrio no momento da implantação.
Encontrei também um estudo que compara as taxas de gravidez de blastocisto expandido no D5 e implantado no D5, blastocisto expandido no D5 e implantado no D6 e blastocisto com expansão tardia no D6 implantado no D6. Então entendi porque sempre ouvi falar apenas de D5: é que, segundo a pesquisa, o dia ideal para implantação é o quinto após a fertilização. De acordo com esse estudo, as taxas de implantação, resultado positivo, gravidez completa e nascimento vivos foram quase o dobro nos dois primeiro grupos: 40% x 19% do último grupo (D6). As taxas de gravidez foram, respectivamente, 60,9%, 64% e 31,8 e as de nascidos vivos 52,3%, 56% e 27,3%. Isso indica que embriões com expansão tardia têm menos qualidade. O estudo não se pretende ser universal, a amostra era pequena e os autores levantam alguns poréns, mas traz indícios.


Achei a imagem abaixo bem interessante. Mostra os diferentes estágios do óvulo desde a saída do ovário, fertilização, passagem pelas trompas e chegada ao útero no caso de uma gravidez natural e ajuda a entender quais os passos "acelerados" pela FIV e porque é tão mais vantajoso implantar um blastocisto.






domingo, 25 de setembro de 2016

Notícias do nosso embrião e a angústia da espera

O telefone tocou às 8h30 de sábado. Era a embriologista da clínica com notícias sobre nosso embrião filho único. Ele está com 9 células e grau 2 de fragmentação, o que é considerado um embrião de boa qualidade segundo ela. Como o desenvolvimento está de acordo com o esperado para o D3, eles vão esperar até segunda para ver como ele evolui - e aí, dependendo da evolução, o médico decidirá ou não pela biópsia. Me parece que, se a qualidade estiver boa, ele vai optar por não fazer a biópsia. Eu já disse que tenho mixed feelings: por um lado quero saber e descobrir se nossos embriões têm algum problema (não para evitar possíveis doenças, de jeito nenhum, é para entender se há algo que impede a implantação), por outro não quero arriscar fazer a biópsia tendo somente um embrião.

E agora eu estou aqui apavorada. Dos nossos cinco embriões gerados e implantados, nunca nenhum chegou ao D5. Na verdade nunca tentaram fazer com que chegasse ao quinto dia, em função da nossa baixa quantidade. Quatro foram implantados em D3 e um em D2. Estou com muito medo de não evoluir até amanhã e queria ir pra clínica ficar cuidando dele 24 horas. É angustiante não ter NADA que a gente possa fazer a não ser esperar.

Não é a primeira vez que temos um embrião com 9 células em D3. Então nos resta confiar na qualidade do laboratório da clínica - dito o melhor da América Latina - torcer e esperar para que amanhã venha mais uma boa notícia. Um dia de cada vez.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Medo do medo que dá: um embrião sendo cultivado

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Por volta das 9h de hoje, estava tomando café no hotel, toca meu telefone: número desconhecido. Já sabia logo que seria da clínica. Era para dar notícias da nossa punção: dos dois óvulos coletados, somente um estava maduro - o outro tinha alterações morfológicas. Este maduro foi fertilizado! Ou seja: temos um embrião!

Mas e o medo que dá? Queria implantar logo hoje. Mas ela disse que agora me darão notícias sobre a evolução do embrião no sábado - são só dois dias, mas parece o tempo mais longo do mundo.

Nós autorizamos a biópsia, mas o médico ainda não estava certo se valia a pena fazer, ele vai decidir a depender da evolução. Por um lado, queria fazer e descobrir logo se nosso embriões têm alguma falha grave - afinal, já foram cinco embriões implantados sem nenhuma gravidez. Mas, por outro, dá muito medo de fazer tendo apenas um embrião. Isso porque existe um pequeno risco de a biópsia danificar o embrião. Então prefiro deixar que o médico decida.

Enquanto isso só me resta desejar que esses dois dias passem e que nosso embriãozinho continue se desenvolvendo bem, com células nascendo no tempo certo. Quero que vire um blastocisto, claro, quero muito, mas sigo com o mantra "um dia de cada vez".




Relato da punção

Então lá fui eu para a quinta punção da minha vida. Cheguei na clínica ontem às 7h30 e fui chamada muito rapidamente - a coleta estava agendada para 8h. Me deram os papéis para assinar autorizando a biópsia (PDG -Diagnóstico Genético Pré-Implantacional), para caso o médico decida que é melhor fazer, e fui levada pro quarto. Tirei todos os brincos e anéis, coloquei a camisola, toquinha na cabeça e os propés, a enfermeira mediu minha temperatura e minha pressão.

Os procedimentos foram todos bem parecidos aos das clínicas do Rio. Entrei no centro cirúrgico, deitei na cama (?) e estiquei os braços em cruz - num braço a enfermeira já fez o acesso venoso e no outro foi tirada minha pressão de novo. Depois elas colocaram eletrodos no meu peito - nas coletas anteriores não teve isso. O médico chegou logo e fez um ultrassom rapidamente, conferiu que o folículo grande estava lá intacto e então o anestesista apareceu avisando que eu começaria a sentir uma tontura. Depois só lembro de ser acordada pelas enfermeiras chamando meu nome e me colocando na maca. Foi bem rápido, durou cerca de 25 minutos.

De volta ao quarto, pedi água, mas elas disseram que precisava esperar uns 15 minutos para ver se eu me recuperaria bem. Passado esse tempo, chegou o lanchinho de praxe: torrada, club social, geleia e manteiga e uma caixinha de água de coco. O médico entrou no quarto nesse momento e contou que foram coletados dois folículos que pareciam estar "expandidos", o que é uma característica de folículos que contêm óvulos. Mas que ainda precisariam confirmar.

Logo depois de lanchar fui liberada, não sem antes passar no setor financeiro - taí uma parte bem chata dos tratamentos a que não me acostumo: a pessoa, ainda grogue da anestesia, tem que ir lá fazer o pagamento. Por um lado entendo que não deva ser feito antes, pois pode haver algum imprevisto e a coleta não ser realizada, mas, por outro, penso que deveria haver outra forma.

Mas enfim, tudo acertado, voltei pro hotel, onde cheguei por volta das 11h e dormi até umas 14h. Acordei MUITO enjoada, uma sensação terrível de náusea. Como a equipe médica recomendou que eu tivesse uma dieta leve na hora do almoço, pedi uma sopa. Estava com muita fome, mas enquanto comia o enjôo foi piorando. Parei de comer e dormi mais um pouco, mas o enjôo estava muito forte e acabei vomitando muito. Foi bem ruim e fiquei com uma sensação desagradável o dia todo.

Por volta das 15h recebi uma ligação da enfermagem da clínica perguntando se eu estava passando bem - uma ótima prática, inexistente nas clínicas pelas quais passei no Rio - e ela disse que eu poderia tomar um dramin ou outro remédio pro enjôo, que era uma reação normal à anestesia.

À noite melhorei um pouco e consegui jantar - estava com muita fome pois tinha comido só duas torradinhas de manhã - mas ainda me sentindo um pouco desconfortável.

Das cinco punções que fiz, essa foi a única em que tive uma reação desse tipo. Das outras quatro vezes fiquei com muito sono e grogue o dia quase todo, mas nunca tive enjôo.


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Um dia de cada vez: mudança de planos

Uma postagem bem rápida apenas para dizer que ontem voltei à clínica em SP. Fiz uma ultra e a médica viu que, ao contrário do esperado, já que parei a medicação na sexta, não ovulei. O folículo maior continuava lá, intacto. Então depois fomos atendidos pelo nosso médico, que decidiu mudar os planos e fazer a punção. Me receitou o Ovidrel para tomar ontem à noite e agendou o procedimento para a quarta-feira de manhã.

Como ele falou, não são as condições ideais, sabemos que não. Mas minha baixa reserva é um fato e já está provado que, por mais ou menos medicação que eu use, não produzirei uma quantidade boa de folículos. Então ele decidiu arriscar: além do folículo maior tem dois outros médios, que podem (ou não) conter óvulos.

Fiquei feliz com a decisão dele. Claro que eu gostaria de fazer a punção com um ciclo de 20 folículos, mas, não sendo possível, vamos ver como está o que eu tenho. Quem sabe não conseguimos gerar um embrião de boa qualidade? E mesmo que não gere, será bom também para o médico avaliar e tomar decisões futuras.

Depois da consulta ainda ficamos na clínica um tempão resolvendo burocracias, já que o plano era ir embora direto pra rodoviária: reserva hotel, compra medicação pelo telefone, vê passagem de volta etc etc etc...

Fico em São Paulo até quinta-feira, já que o retorno de avião só pode ser feito 24 horas após o procedimento (consegui uma passagem com milhas dessa vez). Vou me preparar para a possibilidade de não ter nenhum óvulo, mas torço para que tenhamos pelo menos um e que seja possível gerarmos um embrião nosso, que se desenvolva bem. Vamos ver. Um dia de cada vez.

domingo, 18 de setembro de 2016

A ultra de sábado em São Paulo

Como as passagens de avião de véspera estavam caríssimas, pegamos um ônibus que saiu 00:15 de sábado e chegamos às 6:15 em São Paulo. Teria dormido a viagem toda não fosse uma verdadeira sinfonia de roncos na poltrona de trás. Passamos no hotel, deixamos a bagagem, já que o check-in seria apenas 12h, fomos procurar um lugar pra tomar café e depois seguimos pra clínica, onde a ultra estava marcada para 8:50.

O atendimento lá é bem bom e organizado. Preenchemos novamente as fichas de autorizacao dos procedimentos e fui atendida por uma médica que fez o ultrassom. Rapidamente ela viu que havia apenas um folículo crescido e não dois como a ultra do RJ indicava. Na hora quis chorar, achei que ela que tinha visto errado, fiquei muito chateada. Ela pediu que nós aguardassemos na recepção enquanto ela ligava pro nosso médico, que estava num congresso em outra cidade. Quando ela nos chamou de volta eu estava mais calma. A médica disse que possivelmente o segundo folículo que aparecia nas ultras do RJ era um cisto, já que o tamanho dele se mantinha constante. Ou então um folículo que regrediu de tamanho, o que é raro, mas pode acontecer.

Mais uma vez a medicação foi suspensa e o ciclo interrompido. Não faremos a punção na segunda conforme imaginado. Como estamos em SP, voltaremos na segunda para fazer mais uma ultra. O objetivo será ver se eu tenho o que eles chamam de uma "segunda onda de recrutamento de folículos". Ou seja: esse único folículo grande provavelmente vai se romper e, então, meu corpo começará a recrutar novos folículos. Será feita uma contagem e, a depender do número de novos folículos, poderá ser reiniciada a medicação para o estímulo. A médica explicou que existem mulheres que respondem melhor nessa "segunda onda".

Estou realmente muito pouco esperançosa. Meu ciclo é curto e não sei se terei segunda onda - quando fazia coito programado acompanhado de US havia sempre indicação de ovulação por volta do 12o dia do ciclo. Não custa verificar, mas não estou apostando minhas fichas. Cansei de tentar acreditar.

De qualquer modo será bom conversar com o médico pessoalmente, já que a única consulta presencial que tivemos foi em maio. Mas já antecipo que ele nos dirá para pensar em alternativas porque está realmente cada vez mais distante a possibilidade de uma gravidez com um embrião nosso.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

A ultra de quinta

Atualização rápida para falar da ultra de hoje, marcada para 7h30 de hoje, marido foi comigo. Laudo do ultrassom:

  • Ovário esquerdo com três formações foliculares de 16mm, 13mm e 9mm e um cisto denso;
  • Ovário direito com duas formações sem evolução;
  • Endométrio trilinear medindo 3,9mm.
Os folículos do ovário esquerdo continuaram crescendo um pouquinho, os do ovário direito nada, como já era esperado. Liguei logo pro médico e ele sugeriu que hoje e amanhã eu continue com Puregon e Orgalutran e que repita a ultra no sábado. Estando tudo como está, a punção será feita na segunda ou no máximo na terça (e não mais no domingo como ele havia pensado anteontem).

Mas ele disse que até prefere que seja assim, porque hoje é apenas o sexto dia do meu ciclo, então a coleta seria um pouco precoce. Acho que faz sentido, né.

Agora estamos resolvendo se fazemos essa ultra de sábado no RJ mesmo ou se vamos pra SP amanhã de madrugada para fazer a ultra lá - o que eu até preferia. Perguntei pro médico sobre essa possibilidade, vamos ver a resposta.

Ah, hoje precisei ligar pra farmácia pra encomendar a medicação, já que tinha comprado apenas pra dois dias de indução, conforme receitado. A primeira coisa que o atendente me pergunta é: "A senhora já tem a caneta do Puregon?". Não sabia se ria ou se o parabenizava pelo atendimento correto. 

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A ultra de terça-feira e a saga por uma caneta

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Ontem a ultra estava marcada para 9h. Fui sozinha, pois marido tinha uma reunião importante no trabalho e não podia se atrasar. Já eu fiquei trabalhando até mais tarde na segunda à noite pra poder fazer o exame com calma e chegar um pouco depois do meu horário.

Vamos ao laudo do médico ultrassonografista (que é um senhorzinho fofinho):

  • Ovário esquerdo com três formações foliculares de 14mm, 12mm e 8mm;
  • Ovário direito com duas formações foliculares menores que 3mm;
  • Endométrio trilinear medindo 3,8mm;
  • Importante update: escreveram errado no laudo de sábado e o mioma que mencionei no último post não tem 8 centímetros, mas 8 milímetros, o que explica muito o fato de que ninguém deu a menor bola pra ele. Um mioma de 8mm é considerado pequeno e não atrapalha em nada.
Saí da clínica e liguei direto pro médico paulistano, que falou "eles estão crescendo bem, vamos tirar!". A sugestão dele lá atrás havia sido seguir com a punção desde que eu tivesse pelo menos dois folículos crescendo de maneira sincronizada. E, eu sei, três folículos para uma mulher da minha idade é pouco, pouquíssimo. Mas, comparando com meus últimos ciclos, três folículos é tipo Livro dos Recordes Guiness. 

E então ele me passou o protocolo: suspender o comprimido de indução e começar, à noite, com a medicação injetável: Puregon para induzir a ovulação e Orgalutran para evitar a ovulação precoce. Questionei sobre o Elonva, o tal do medicamento cuja injeção única vale para sete dias de indução, e ele explicou que não valia a pena usar. Isso porque meus folículos já estão com um tamanho razoável e não requerem sete dias de medicação para crescerem - se usasse esse remédio correria até o risco de perder os folículos por crescimento excessivo.

Ele receitou apenas dois dias de medicação injetável (terça e quarta) e pediu que eu repita a ultra amanhã (quinta). Fiquei bastante satisfeita por esse protocolo ultra curto - das minhas 4 FIVs, 3 foram mini, mas em nenhuma deles usei tão pouca medicação injetável para estímulo em tão poucos dias. Me parece que faz sentido isso pra mim. Já está mais do que provado que não adianta estimular por muitos dias, nem com dosagem muito alta: eu sempre terei poucos folículos. Então o melhor é trabalhar para que esses poucos sejam bem usados e tenham qualidade.

Isso foi às 9h. Depois fui pro trabalho, agendei a ultra de quinta-feira, avisei a enfermagem da clínica de SP que o médico havia me passado a conduta pelo telefone e solicitei a receita dos remédios pra comprar na farmácia. Só fui receber esse email às 16h, horário em que estava dirigindo indo pra acupuntura. Esse tipo de medicação só vende em uma farmácia do RJ - uma rede que tem em tudo quanto é canto, mas que só comercializa as chamadas "especialidades" em três unidades. 

Geralmente eu ligo e peço ou pra entregarem em casa (quando há tempo hábil) ou para deixarem reservado em uma dessas unidades pra eu passar e buscar. Liguei e disseram que me dariam retorno. Cheguei na acupuntura, recebi agulhas (e rolaram até pedras dessa vez #inovacao) e fiz uma coisa que abomino: fiquei com o telefone do meu lado, porque geralmente ligam de volta super rápido. Mas não ligavam. Então eu liguei, com agulhas espetadas na mão e tudo, e chamei pela atendente. Disseram que ela estava finalizando uma venda e me ligaria em seguida. Ela ligou pra vocês? Nem pra mim.

Nisso marido estava saindo do trabalho e precisava decidir o que fazer. Pedi que ele fosse direto na farmácia e tentasse comprar o remédio, mesmo sem ter reservado - minha preocupação é que tivesse em falta a medicação. Então ele foi e lá tinha tudo. Ou quase tudo. Não havia farmacêutico na unidade e as atendentes não sabiam informar como era feita a aplicação do Puregon - medicamento que nunca usamos. Eu comecei a ficar desesperada nervosa, pesquisei na internet e vi que o Puregon vinha com uma caneta aplicadora. Então falei pro marido voltar pra casa para não atrasar muito mais a aplicação.

Prazer, carpules
Quando ele chega, descobrimos que não tinha caneta na caixa, apenas a ampola - que descobri se chamar carpule - e as agulhas. Liguei de novo pra farmácia e a atendente me diz que a caneta deveria ter vindo junto com o remédio, que erraram ao fazer a venda dessa forma. Então ela consultou o estoque e disse que a unidade mais perto da nossa casa - que àquela hora tinha acabado de fechar - não tinha a caneta, que talvez por isso eles tenham se confundindo. Peço então pra que ela consulte a outra unidade, a segunda mais perto da gente. "Senhora, não estou conseguindo contato com esta unidade, mas a terceira unidade tem a caneta e a senhora pode ir lá buscar". A 21 quilômetros de distância. Mas ok, era a nossa única solução.

Enquanto eu falava com a farmácia, marido ligou pro telefone de emergência da clínica de SP. Eu estava desesperada com medo de atrasar a hora da medicação, mas a enfermeira nos tranquilizou. Pediu pra aplicarmos logo o Orgalutran e disse que não haveria problema aplicar o Puregon depois.

Um pouco menos desesperada nervosa, depois da injeção do Orgalutran feita pelo marido em mim, pegamos o carro. Antes de ir pra farmácia mais longe, resolvemos tentar na que ficava mais perto, apesar de a atendente ter deixado a caneta reservada na mais longe mesmo. Primeiro estacionamos na farmácia errada na mesma rua - que não era a de especialidades. Mas um rapaz muito solícito nos ajudou e consultou o farmacêutico da outra pelo rádio, confirmando que, sim, tinha uma Puregon Pen disponível. E lá fomos nós buscá-la. O farmacêutico da unidade de especialidades questionou se não tinham perguntado se era a primeira vez usando o medicamento. Até perguntaram e dissemos que sim, mas mesmo assim não souberam nos orientar direito. 

Minha caneta, enfim!
Ainda tive que pagar R$ 0,10 pela caneta - que é de graça quando se compra o Puregon, que não é nada barato - porque não podiam liberar o produto sem gerar nota fiscal, hehe. Mas acho que teria pago até R$ 1 milhão por essa caneta!

Finalmente, às 21h45 de ontem, encerrando a saga que começou às 17h, conseguimos aplicar a injeção com a caneta - que aliás é uma mão na roda, facilita demais a aplicação. Quisera eu que as milhares de medicações que já tomei pudessem todas ter sido com caneta (algumas até foram, mas a minoria).

Agora, depois desse post gigantesco, é fazer a medicação hoje, repetir a ultra amanhã e falar com o médico. Dependendo, se tudo tiver continuando a evoluir como está, farei a punção neste fim de semana em SP. Assim mesmo, mega rápido. Acho que esse era o lead do post, na verdade. Mas quero ir com calma, um dia de cada vez, esperando pra ver se amanhã isso vai se confirmar mesmo.

sábado, 10 de setembro de 2016

Sitting, waiting, wishing...

Lets Make A Wish

Como imaginava que menstruaria nessa madrugada, coloquei o despertador para 7h, para levantar e ir ao banheiro pra checar - e, se fosse o caso, já ligar pra clínica. Mas quem disse que eu consegui levantar às 7h? Só 8h45 é que tive forças pra sair da cama e, então, confirmei que a menstruação havia descido - com um fluxo já bem intenso pra um primeiro dia. Liguei logo pra clínica e, por sorte, consegui um horário para fazer a ultra às 10h15.

Fico feliz quando a ultra cai num sábado. Assim marido consegue ir comigo e não tem correria nem desculpa por conta do trabalho. Fomos atendidos rapidamente - a clínica é boa, os médicos são excelentes, mas como falta um tratamento humanizado. Poxa, já tem anos que faço acompanhamento seriado nessa clínica e especialmente desde maio estou lá mensalmente batendo ponto. Parece que as atendentes nunca lembram de mim, toda vez tenho que repetir minha história, que sou paciente de um médico de São Paulo etc. etc. Mas enfim, além de ser uma das mais renomadas no RJ, é bem perto da minha casa e foi a única que o médico paulista indicou. Então vou ter que me conformar com esse atendimento frio mesmo.

Saí de lá com o seguinte laudo do médico ultrassonografista:

  • Ovário esquerdo medindo 3,7cm com formações de 13mm, 12mm e duas de 7mm, além de um cisto denso de 13mm (esse é o cisto do último ciclo, que estava com 24mm);
  • Ovário direito medindo 1,7cm (vejam a diferença de tamanho pro meu ovário esquerdo) com uma formação folicular de 4mm e outra de 3mm;
  • Útero miomatoso com nódulo subseroso medindo 8 cm (o mioma havia sido identificado há alguns ciclos, mas nunca esteve tão grande).
Da clínica corri pro laboratório e colhi o exame de sangue: progesterona, estradiol e FSH.

E passei o resultado do laudo da ultra pro médico de SP, que, claro, demorou a me responder, mas acabou por finalmente dar um retorno pedindo para eu começar a tomar o serophene e para repetir a ultra na terça-feira para vermos como estará o crescimento dos folículos. Não é exatamente um protocolo diferente das vezes anteriores, mas na terça ele decidirá se vou seguir com a medicação injetável e com qual remédio. 

Achei que estou com uma quantidade razoável de folículos para o meu padrão (alô acupuntura?), embora tenha achado que os tamanhos estão um pouco discrepantes. Fiquei preocupada também com esse mioma de 8cm, mas como fucei muito no Google o médico não falou nada, me convenci que não deve ser lá algo muito grave.

Então não me resta muito a fazer além de começar o remédio e esperar pela ultra de terça-feira.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Recapitulando enquanto espero


Terminei a cartela de Cicloprimogyna na segunda-feira, dia 5. Agora estou esperando a menstruação resolver dar as caras. Hoje é o 25o dia do ciclo e meus ciclos costumam durar 26 dias - embora os últimos tenham durado 29 (agosto), 27 (julho), 27 (junho) e 21 (maio). Ou seja, tá tudo meio bagunçado. Já tem quatro meses que fui para São Paulo e já estamos quase na metade de setembro e ainda não consegui sequer dar sequência a um ciclo completo de indução com esse novo médico.

Resolvi recapitular os meus ciclos de 2016, até para fazer um resgate organizado, Por um lado acho bom não estar tão neurótica a ponto de me lembrar de cada detalhe de cada mês. Mas, por outro, gosto de saber, não tem jeito.

Janeiro 2016 > Em dezembro de 2015 mudamos de clínica, após três ciclos de FIV e duas implantações embrionárias. Em janeiro fizemos alguns exames pedidos pelo novo médico.

Fevereiro 2016 > No dia 27 de fevereiro fiz a primeira ultra nessa nova clínica. Tirei férias em março pra poder fazer o tratamento com calma, mas já nessa primeira ultra foi identificado um cisto ovariano. O médico me receitou um anticoncepcional por 14 dias, mas acabei tendo que tomar por 21 dias, pois o cisto demorou a sumir.

Março 2016 > Não consegui fazer o tratamento nas férias por conta do cisto identificado no fim de fevereiro e acabei tendo que adiar ainda mais o início por conta de uma viagem programada a trabalho assim que eu voltasse.

Abril 2016 > Comecei, enfim, a indução para a quarta FIV. No dia 16 de abril fizemos a implantação do único embrião obtido. No finzinho do mês pegamos o resultado negativo.

Maio 2016 > No dia 18 de maio viajamos para São Paulo para uma consulta com um novo médico, de uma nova clínica, super bem recomendado. Fiquei menstruada no dia 24 de maio e iniciei o regulador de menstruação, além de outras medicações que ele passou.

Junho 2016 > Parei de tomar o regulador de menstruação no dia 11/6 e menstruei apenas no dia 20/6 (o regulador não antecipou minha menstruação) e no dia 21/6 comecei a medicação para a indução. Mas, quatro dias depois, tive o ciclo interrompido, porque os folículos cresceram cada um do seu jeito, totalmente sem sincronia.

Julho 2016 > A menstruação veio no dia 17/7 e já no dia 18 dei início à medicação para a indução. Mas, de novo, depois de quatro dias de remédio, o ciclo foi interrompido porque, apesar da dose mais alta, minha resposta foi péssima.

Agosto 2016 > Fiquei menstruada no dia 15/8 e fiz a ultra. Mas dessa vez nem comecei a medicação. Por conta de um cisto, o ciclo sequer foi iniciado. O médico me receitou, então, uma cartela de Cicloprimogyna, que terminou na segunda-feira, 5 de setembro.

E agora me encontro esperando, mais uma vez, a menstruação e torcendo para que as condições dessa vez estejam favoráveis e que seja  possível fazer a minha quinta FIV. Pra piorar ontem fiquei gripada, uma sensação de moleza no corpo e dor de cabeça forte, mas não quero tomar nenhum remédio. Espero melhorar logo logo.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Tempo, tempo, tempo, mano velho...



Sumi da blogosfera. Estava precisando dar um tempo, ocupar minha mente com outras coisas, não ficar só pensando nisso sem parar quando chegava em casa. E também não tinha nenhuma novidade... Enquanto isso, segui minha rotina: fazendo acupuntura, tomando ácido fólico, vitamina D, vitamina C, coenzima, passando o gel de testosterona e tomando o cicloprimogyna. Na contagem regressiva, como sempre, mas um pouco mais tranquila. Não posso dizer que o tempo tenha passado rápido, mas não foi também tão devagar assim. Agora faltam 5 comprimidos do regulador de menstruação, que termino de tomar na segunda-feira. Segundo o médico, devo ficar menstruada de 2 a 3 dias depois de parar a medicação. Mas, da outra vez que tomei, minha menstruação não antecipou. Se isso se repetir, só vou menstruar lá pelo sábado, dia 10. E aí farei a ultra para verificar as condições: se não tiver cisto, não tiver mioma, tiver uma quantidade mínima de folículos e os hormônios estiverem normais, pode ser que o médico queira dar início à indução com Elonva. Vamos ver. Só me resta aguardar e tentar fazer a minha parte, me alimentando bem (tentando resistir ao chocolate, que dura missão) e usando os remédios e vitaminas direitinho.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Garota interrompida

Ontem não era um novo dia de um novo tempo que começou. Hoje foi o dia de receber retorno da clínica de São Paulo. Como imaginado, foi dia de ter mais um ciclo interrompido. Foi o dia de confirmar que, por causa do cisto de 24mm, não poderei dar início à indução. Foi dia de ter o terceiro ciclo consecutivo descontinuado - esse, na verdade, sequer chegou a começar. Foi dia de, mais uma vez, ficar com raiva por causa de um cisto milimétrico (literalmente!), que já me impediu de iniciar uma FIV em fevereiro desse ano. É que o cisto expele hormônios e isso atrapalha toda a indução - meu estradiol está nas alturas por conta disso e por conta do anticoncepcional que usei por nove dias. Hoje foi dia de começar a tomar, de novo, o tal regulador de menstruação e de dar início a mais uma - de tantas que já fiz - contagem regressiva. Dessa vez serão 21 dias. Vinte e um longuíssimos dias que chegarão ao fim somente no dia 5 de setembro. Hoje foi dia de completar 48 ciclos de tentativa. Q-u-a-r-e-n-t-a-e-o-i-t-o. Foi dia de me perguntar o porquê de tudo isso acontecer comigo. Mas isso todos os dias são. O futuro não começou e a festa pode ser de quem quiser, mas minha não é.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Hoje é o novo dia de um novo tempo que começou

Na verdade não sei se é.

Fiquei menstruada hoje. Uma borra fraquinha o dia inteiro, mas considerei menstruação. Estava tomando um AC desde o 21o dia do ciclo a cada doze horas e a menstruação veio no 29o dia - normalmente meus ciclos duram 26 dias.

Avisei a clínica de SP e aí começou a correria: faz exame de sangue e ultrassom hoje. Corre pra fazer exame de sangue (Estradiol, FSH e Progesterona) na hora do almoço - sorte que o laboratório estava vazio. Pede pra sair mais cedo do trabalho para correr para fazer a ultra - depois de conseguir um encaixe às pressas. Pede um Uber, que cancela, tenta pegar um táxi, mas não tem táxi no ponto, vai pra rua, e nenhum táxi para (taxistas devem estar faturando nessas olimpíadas), anda até o ponto de táxi seguinte, está vazio, pede um outro uber, que diz que vai demorar, enquanto isso tenta sacar dinheiro, o caixa entra em manutenção na sua vez, surgem três táxis no ponto, mas nenhum aceita cartão de crédito (e depois querem reclamar do uber), até que o uber chega e você embarca num engarrafamento sem fim, porque, além das olimpíadas, teve um acidente horrível. E, claro, a bateria dos seus dois celulares acaba - sorte que o motorista do uber me ouviu falando e me ofereceu um carregador.

Nervosa, porque a secretária disse que o médico ultrassonografista não ia trabalhar até tarde hoje, já estava me imaginando chegando lá e dando com a cara na porta. Mas, apesar dos meus 45 minutos de atraso, consegui ser atendida. Fiquei por último, claro, mas foi bom que ainda deu pra ver a vitória da dupla masculina do vôlei de praia na recepção.

O médico começou a fazer a ultra e, pela quarta ou quinta vez, me pergunta se eu já tinha operado ou retirado uma parte do ovário. Isso porque meu ovário direito, como sempre, estava bem diminuído, quase metade do tamanho do esquerdo. No direito ele não viu nada, mas no esquerdo viu de 3 a 4 folículos antrais e uma formação grandona, que segundo ele pode ser um cisto ou um corpo lúteo. Saí de lá bolada com esse grandão - meu ciclo antes da quarta FIV foi adiado por conta de um cisto, em fevereiro deste ano...

E aí fiquei esperando retorno do médico paulistano. O médico do RJ sempre passa os resultados da ultra diretamente pra ele, que costuma me ligar em seguida. Como eu tava sem bateria, avisei logo a secretária e pedi para que ela anotasse meu segundo número (o que carreguei no uber). Vim correndo pra casa, com medo de ele me ligar no telefone sem bateria, mas ele não ligou, não respondeu meu email e nem meu whatsapp, nada...

Agora não me resta nada a fazer a não ser controlar a ansiedade para dormir e tentar contato com ele na primeira hora de terça-feira para ter uma ideia do que fazer nesse ciclo. Acho que, por conta desse possível cisto, pode ser que ele peça pra eu continuar com o AC mais alguns dias. Ou não. Não sei. A ver.



sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Sobre a falta de bom senso e respirar fundo

Estava falando com uma pessoa pelo whatsapp por motivos comerciais. Para justificar um atraso, falei que fazia tratamento para engravidar e que estava numa consulta que se alongou demais. Como a pessoa não me conhecia, quis logo falar a verdade, por uma vez na vida. Eis que a pessoa - que não me conhece, nunca me viu na vida e falava comigo há apenas 3 dias pelo whatsapp - me responde o seguinte:


Agradeci o insight e respondi que iria logo tratar de agendar uma viagem para um lugar bem bonito. Se eu soubesse que era isso, não teria passado os últimos quatro anos andando somente por lugares bem feios, impedindo meus ovários de ver as belezas do mundo.

Na verdade respirei fundo, segurei minha onda e ignorei solenemente o comentário. A transação comercial acabou não se concretizando e eu fiquei até aliviada por não ter mais que lidar com essa pessoa. Te falar que cansa viver respirando fundo.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Quem te viu, quem te vê

Philadelphia Magazine - Stress Solutions

Tem dez dias que não atualizo o blog. Mas parece que tem muito mais. A sensação que tenho é que já se passaram muitos e muitos dias desde que tive a notícia de que meu mais recente ciclo não tinha dado certo, de novo. Mas a verdade é que faz pouquinho tempo. Acho que a notícia é tão pesada que faz com que seja esse o sentimento.

Sigo no luto desde que interrompi o último ciclo de estimulação. É difícil ter vontade de fazer qualquer coisa que não seja ficar no sofá vendo netflix ou procurando ler todas as histórias possíveis sobre FIV na internet.

Nessas leituras encontrei essa pesquisa aqui, que fala que a acupuntura dobra as chances de uma mulher engravidar por meio da FIV. Eu já fiz acupuntura, na minha segunda e terceira FIV. E achei que o resultado não foi satisfatório. Na verdade, achei que não fez diferença nenhuma.

Superei meu pânico de agulha e a minha incredulidade para me submeter ao tratamento e até gostei de fazer, ficava mais tranquila, mas não tive resposta melhor. Mas, depois de ler a matéria e alguns relatos de mulheres que engravidaram usando tudo que eu estou usando (andrógeno e coenzima) e fazendo acupuntura, resolvi voltar.

Mas dessa vez busquei um profissional especializado. Gostava bastante do meu acupunturista, mas sentia que eu era a primeira paciente dele com problemas de fertilidade. Ele estudou os pontos e tal, mas sei lá, me passava uma insegurança. Dessa vez fui na indicação de uma obstetra acupunturista.

Ontem foi a primeira consulta. Muito simpática a médica, que é adepta também da medicina chinesa. Logo de cara me falou sobre a importância da alimentação e a energia dos alimentos: de manhã devo comer frutas, grãos (inclusive pão, que é feito de trigo) e ovos, no almoço está tudo liberado e no jantar devo evitar carboidratos e carne vermelha, dando preferência a raízes como inhame e aipim.

Conversamos bastante, relatei meu longo histórico e passei para a mesa de acupuntura, onde ela me pediu para tirar uma carta de um baralho de flores. Quem me conhece sabe que sou uma pessoa bastante cética, não acredito em nada místico ou sobrenatural, confio mesmo é na ciência. Mas, como a ciência vem me desapontando ultimamente, porque não tirar uma carta do baralho de flores? Foi o que fiz e a carta que saiu foi uma orquídea cujo significado tinha a ver com espantar os maus pensamentos e a negatividade. Achei pertinente.

Ela falou também sobre pedras que trazem boas energias - todas as vermelhas - e disse que deveria usar peças de roupas vermelhas, inclusive a calcinha. Achei engraçado. Sou zero supersticiosa, mas fiquei achando que não custa tentar.

A sessão de acupuntura foi bem longa. Ela usou dezenas de agulhas em vários pontos para estimular o ovário, muito deles na região abdominal e pélvica. Nesses pontos mais próximos ao ovário ela também aplicou a técnica de moxabustão, que consiste em esquentar as agulhas usando uma espécie de um charuto feito com folhas de ervas. E, diferentemente do acupunturista anterior, ela também trabalhou pontos nas costas. Foram cerca de 20 minutos de frente e 15 de costas. Fiquei bem focada na respiração e, pela primeira vez, até dormi, o que seria impensável para mim há poucos anos: dormir com agulhas espetadas no meu corpo.

Como estou prestes a iniciar a preparação para mais um ciclo de estimulação, ela sugere que eu vá duas vezes por semana, e eu assim farei. Ah, a flor da carta que eu tirei do baralho também serviu de base para um floral que ela preparou ali na hora, com essa orquídea e uma outra flor. Nunca nos meus 33 anos de vida tomei uma gotinha de floral e nem mesmo homeopatia. Mas para tudo tem uma primeira vez, não é mesmo? Se me ajudar e eu conseguir engravidar, viro adepta da medicina chinesa, da homeopatia e o que mais for necessário. Chega a hora na vida de uma pessoa em que ele precisa acreditar e ter fé em alguma coisa.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

O pesadelo não tem fim

Tive uma péssima resposta, ainda pior que do último ciclo. Não adiantou a dose mais alta, não adiantou a coenzima, não adiantou tomar nove injeções. Nada adiantou. O médico que fez a ultra na sexta-feira não me disse nada, mas logo vi que não aparecia imagem compatível com folículo na tela. No fim eu perguntei e ele afirmou: não tem nada no ovário direito (que tinha quatro folículos antrais na segunda-feira) e apenas um de 9mm no ovário esquerdo (que tinha apresentado dois folículos antrais). Ou seja: minha resposta foi praticamente nula.

Quando ele falou, eu já sabia que isso significaria mais um ciclo interrompido. Pouco depois me ligaram da clínica de SP, a pedido do médico, informando que deveria mesmo suspender a medicação e interromper o ciclo. De novo. De novo. De novo. De novo. 

Mais um ciclo perdido, esperanças jogadas no lixo.  Mas meu coração se despedaçou mesmo quando o médico me ligou, no fim do dia. Achava que ele poderia fazer alguma nova proposta, sugerir uma alternativa, mas ele enfiou logo uma faca no meu peito. Disse que tinha que ser realista e que eu tinha que saber que existe um limite. "Podemos achar caminhos para vencer a dificuldade. Mas tudo na vida tem um limite". E que eu e meu marido precisávamos entender qual era o nosso limite. Que poderíamos tentar exaurir todas as nossas possibilidades, mas sabendo que nossas chances são mínimas. Basicamente jogou a decisão pra gente.

Eu perguntei sobre o remédio, porque tenho a impressão que não me dou bem com essa medicação (usada também na quarta FIV, mas não nas 3 primeiras) e ele disse que dava no mesmo, que os remédios eram todos parecidos. Mas que, caso eu decidisse tentar mais um ciclo, ele poderia trocar a medicação para o estímulo. E depois eu não consegui falar mais nada, estava em prantos, agradeci chorando e desliguei.

Pela primeira vez, em todos esses anos de tentativas, eu pensei em desistir. Pela primeira vez consegui admitir a ideia de que eu talvez não tenha sido feita para engravidar mesmo. Pela primeira vez eu me imaginei tendo que aprender a lidar com essa frustração ao longo de toda a minha vida. Pela primeira vez eu reconheci que talvez não haja avanço científico capaz de me ajudar. E como tudo isso doeu - ainda está doendo e não sei se vai parar de doer.

Nem nos meus piores pesadelos eu imaginei que não seria capaz de engravidar. É difícil acreditar que isso esteja acontecendo comigo. Mil coisas passam pela minha cabeça: por que eu não fui avisada que a infertilidade era uma possibilidade, por que não congelei meus óvulos aos 20 anos, por que não fiz uma FIV logo em 2013? Mas a principal é: como serei capaz de suportar essa angústia? Eu realmente não sei.

Me sinto fora do mundo. Não conheço ninguém da minha idade que já tenha enfrentado quatro fertilizações, ninguém que possa fazer brotar alguma ponta de esperança. Na internet nunca encontrei relatos e nem blogs de mulheres que tenham feito tantos tratamentos como eu - se alguém souber e puder compartilhar, agradeço. Elas existem - eu já li um livro que mencionava uma mulher que fez 14 FIVs e conseguiu engravidar - mas não sei onde encontrar suas histórias.

Quando penso que tenho 33 anos, menstruo regularmente e ovulo também fico me perguntando: será que nunca vai dar certo? Será que se eu fizer 10 FIVs eu não vou mesmo engravidar?

No sábado de manhã o médico paulistano me escreveu. Eu tentei fazer com que ele não percebesse meu choro, mas foi meio impossível, então acho que ele se sentiu culpado. E falou sobre um medicamento relativamente novo, chamado Elonva, que consiste em uma única injeção com uma dose de remédio equivalente a de vários dias, que pode contribuir para manter constantes os níveis hormonais em mulheres más respondedoras. Pesquisei bastante e vi que os estudos em más respondedoras ainda são insuficientes, mas há indícios de que pode funcionar bem para esse grupo de mulheres no qual me encaixo. Nada milagroso. No meu caso já sabemos que não vou nunca produzir 20 folículos após uma estimulação. Mas decidi experimentar esse remédio no próximo ciclo.

Sem expectativas, que já não as tenho mais, sem esperanças, que já foram todas jogadas no lixo, sem acreditar, porque a fé não costuma, mas ela falha.





quarta-feira, 20 de julho de 2016

O dia depois de amanhã

Falta pouco para o dia depois do amanhã, quando saberei como estou respondendo ao estímulo para confirmar se poderei seguir com a FIV.  Espero que dessa vez meu corpo tenha reagido direitinho e que todos os folículos estejam crescendo linda e sincronicamente.

Hoje foi o terceiro dia do estímulo. Comprimido de manhã e à noite e injeções. O marido hoje estava comigo, mas rolou nervosismo de ambas as partes e novamente demora infinita para conseguir aspirar todo o líquido do vidrinho. Na maioria das vezes vai rapidinho e quase automático, mas tem outras em que a seringa empaca e fica um pouco de remédio no fundo do vidro.

Quando finalmente terminamos, as duas injeções aplicadas sem dor, resolvemos tentar aspirar as gotinhas que tinham restado em dois vidros. Deu certo rapidinho. E então hoje foram três injeções em vez de duas.

Mas tudo bem, não reclamo. Se for pra dar certo, que sejam quantas injeções forem necessárias.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Segundo dia de estímulo

Gosto do protocolo do médico paulistano, que prescreve a medicação para quatro dias, para avaliar no quinto dia a evolução e decidir como seguir. Nas duas clínicas por onde passei e fiz as quatro FIVs anteriores era um pouco diferente. Na primeira a medicação até era ajustada de acordo com as ultras, mas eu já saia com os remédios comprados para mais dias dia estímulo. Na segunda clínica, pediram para que eu comprasse toda a medicação para 12 dias de estímulo. Saí com três isopores da farmácia.

Mas o principal é que essa estratégia dos quatro dias é mais animadora. A contagem regressiva fica mais "leve". É como se fosse um objetivo macro com pequenas metas a serem cumpridas ao longo do processo. Vou tomar as injeções por quatro dias e hoje já é o segundo, ou seja, metade já foi! Fica mais fácil encarar dessa forma.

Ontem foi o primeiro dia do estímulo. Comecei com um comprimido na hora do almoço outra na hora do jantar, quando o marido também me aplicou as duas injeções. Pois é. Dessa vez serão duas por dia, porque, como a dose aumentou, não dá para diluir tudo em somente um dissolvente. O que foi um pouco chato foi que a enfermeira não me orientou quanto a isso, sorte que eu já tinha lido a bula e lembrava que não dava pra diluir infinitamente.

Mandei um email com a dúvida e a enfermeira me ligou logo depois hoje de manhã para confirmar que eu tinha feito certinho. Ufa! Tenho pouco saco pra ler bula, mas é sim útil...

Hoje tomei o comprimido cedo. À noite, marido tinha um compromisso inadiável e, como resultado, precisei preparar a medicação e me aplicar as injeções sozinha. Não foi a primeira vez. Mas sempre, sempre, sempre fico nervosa. Comecei já fazendo errado e esquecendo de diluir um pó numa seringa. Ainda cabia na outra, então tudo certo. Mas foi mega difícil aspirar a segunda seringa, acabei deixando escapar algumas gotas... Espero que nada muito significativo.

Assim que começo a preparação coloco um saquinho de gelo pra ir anestesiando a barriga. Então, quando finalmente as seringas estão prontas, a barriga tá gelada e é bem mais tranquila a aplicação, quase nem dá pra sentir. Mas acertei não só um, mas dois vasinhos, e as duas picadas sangraram e demoraram a parar. Nenhum sangramento anormal, é bem comum isso acontecer, inclusive. O que não quer dizer que seja agradável.

É engraçado pensar o quanto algumas situações que encaro normalmente hoje me seriam totalmente improváveis há alguns anos. Eu sempre tive pânico (verdadeiro) de agulha, horror a sangue, e hoje eu me aplico injeções sozinha! Nunca pensei que seria capaz. Mas sou!

E rumo ao terceiro dia de estímulo...

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Novo ciclo. E lá vamos nós...

Pois bem. Depois do surto de sexta e sábado, da ansiedade louca que me fez fazer dois testes de farmácia, a menstruação apareceu no domingo. Exatamente como o aplicativo havia previsto.

Temia menstruar no domingo e não conseguir agendar a ultra na segunda, mas liguei, a clínica estava aberta e marquei para 6:45 de hoje. Deu certo e lá fui eu, pela enésima vez, até a clínica bem cedinho, acompanhada pelo marido.

O médico ultrassonografista viu o seguinte:
- quatro folículos antrais no ovário direito;
- dois a três folículos antrais no ovário esquerdo;
- corpo lúteo indicativo de ovulação no ovário esquerdo.

Tudo compatível com um segundo dia de ciclo de uma mulher com baixa reserva ovariana.

Passei os resultados pro médico paulista e ele não demorou a me ligar. Avaliou que o resultado estava bom e pediu que eu começasse logo a medicação. Vai manter o mesmo protocolo, só aumentando um pouco a dose do remédio injetável. O objetivo é maximizar o recrutamento folicular e estimular que todos esses folículos antrais cresçam.

Serão quatro dias de remédio e na sexta-feira retorno para a ultra. Com muita esperança que dessa vez dê certo, que minha resposta seja melhor e que eu possa seguir com o ciclo para a FIV.

Agora têm início quatro dias intensos, em que fica difícil tirar o foco disso. Fico torcendo para que os dias passem rápido, porque cada dia que passa é menos uma injeção pra tomar, menos vidrinho pra quebrar, é um degrau a mais na minha longa caminhada.

"Aponta pra fé e rema"



sexta-feira, 15 de julho de 2016

Já é Natal na Leader Magazine?

No post sobre o ciclo interrompido comentei que a data prevista para a minha menstruação era 17 de julho, segundo o aplicativo no 28º dia do ciclo. Só que chega o Natal, mas não chega o dia 17 de julho.

Nunca vi dias para passarem tão devagar. Eu me distrai, saí no fim de semana, trabalhei e fiquei minhas horas diárias no trânsito. Mas os dias se arrastaram e só fiquei torcendo para que terminassem logo, para que acabasse logo a semana e começasse a outra para ficar mais perto do dia 17 de julho.

Como meus ciclos têm geralmente 26 dias, achei que o aplicativo pudesse estar enganado e que fosse ficar menstruada hoje, 15 de julho, que é o 26º dia do meu ciclo. Fui ao banheiro mil vezes nessa expectativa hoje durante o trabalho e nada. Me bateu um ataque de ansiedade e o que eu fiz? Comprei um teste de farmácia que fiz assim que cheguei em casa, com o 15º xixi do dia e não com o primeiro, como recomendado. Achei que fosse dar negativo, claro, mas o que aconteceu? O teste não funcionou. A tal da linha azul que tinha que ter aparecido no visor de controle não apareceu. Segundo o site da Clearblue, marca do exame, isso pode acontecer:

7. Usei o Teste de Gravidez Clearblue PLUS, mas não apareceu nenhuma linha azul no Visor de controle. O que eu devo fazer?

Se não houver uma linha azul no visor de controle 10 minutos após a realização do teste, o teste não terá funcionado. O motivo pode ser:
  • A Ponta de mudança de cor não foi mantida apontada para baixo ou o medidor de teste não foi mantido na posição estendida depois que a urina foi aplicada.
  • Uma quantidade excessiva ou insuficiente de urina foi usada. Você deve fazer a amostragem por 5 segundos. Você deve fazer o teste novamente com um novo medidor de teste, tomando o cuidado de seguir as instruções. Colete uma amostra da sua urina em um recipiente limpo e seco e mergulhar apenas a Ponta de mudança de cor por 5 segundos.

Eu já fiz infinitos testes de farmácia. Incontáveis mesmo. E nunca tinha acontecido isso. Mas dizem por aí que pra tudo tem uma primeira vez na vida. Eu comprei dois testes. Se não conseguir controlar a ansiedade até amanhã, farei cedo um novo. Ô fasezinha terrível essa. Quando você acha que está bem, tranquila e confiante esperando o início do próximo ciclo para a FIV, bate aquele desespero, aquela ansiedade. Mas não resta muita opção, a não ser esperar...

terça-feira, 12 de julho de 2016

Maioria das mulheres que faz tratamento de fertilidade engravida dentro de cinco anos

Scientists
July Pluto/Dribbble

Eu assino vários alertas do Google sobre infertilidade e temas correlatos. Entre notícias como "Começa nessa terça-feira 7º curso de inseminação artificial em bovinos, em Palmas" e "Nasce primeiro pinguim do mundo concebido por inseminação artificial", tenho recebido informações muito interessantes, que ajudam a suprir minha necessidade por matérias, estudos e pesquisas da área.

Uma delas foi uma pesquisa apresentada na conferência da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE), que aconteceu no início do mês (foi pra esse congresso que meu médico viajou, inclusive) em Helsinque.

Os pesquisadores acompanharam cerca de 20 mil mulheres dinamarquesas passando por tratamento de fertilidade, incluindo fertilização in vitro e inseminação intrauterina. E concluíram que mais de 50% deram à luz até dois anos após o começo do tratamento. Em três anos, 65% das mulheres tiveram filhos, percentual que aumenta para 71% dentro de cinco anos.

Os estudos mostram também que a taxa de sucesso de gravidez está totalmente ligada à idade da mulher. Enquanto 80% de mulheres com menos de 35 anos tiveram filhos dentro de cinco anos, o percentual para aquelas com idades entre 35 e 40 foi de 60%. Já entre as mulheres acima dos 40 anos, apenas 26% tiveram filhos em cinco anos após o início dos tratamentos.

Do total das mulheres acompanhadas em cinco anos, 57% engravidaram em função de tratamentos, enquanto 14% conceberam naturalmente, o que indica que alguns casais apenas precisam de um pouco mais de tempo que a média para conseguir uma gravidez natural.

Segundo os pesquisadores, esse resultado vai permitir aos médicos traçar um prognóstico mais real das chances de um casal ter um bebê. Segundo Sara Malchau, autora da pesquisa do Hospital Universitário de Copenhague, "passar por um tratamento de fertilidade pode ser como um passar por um labirinto para os casais, por isso é importante que eles tenham informações sobre os possíveis resultados no longo prazo".

Ela também diz que a pesquisa reforça a importância da idade da mulher para o tratamento de fertilidade: "A mensagem é: não espere demais".

O link para a matéria, publicada no The Guardian, está aqui (em inglês).

Vale ressaltar que o estudo foi conduzido na Dinamarca, um país onde há muito mais apoio do estado aos tratamentos de fertilidade. Nem sei direito como funciona lá, mas já ouvi falar que o governo paga todos os procedimentos, quantos forem necessários. Se alguém souber mais e puder compartilhar, adoraria saber. De todo modo, me parece uma pesquisa válida pelo número expressivo de mulheres acompanhadas.

Há dois percentuais que me animam um pouco: o de que 71% das mulheres engravidam em cinco anos e de que 80% das mulheres com menos de 35 anos tiveram filhos nesse período. Ou seja: aos 33 anos e tentando há quase quatro anos, com quatro FIVs frustradas no currículo, ainda posso acreditar nas minhas chances. Tem também a informação de que 14% engravidaram naturalmente nesse período, o que alimenta uma pontinha de esperança, mas é só uma pontinha...

E se tem uma coisa pela qual sou grata é à ciência e ao desenvolvimento de tecnologias médicas, que permitem coisas incríveis e que estão ajudando tantas mulheres em todo o mundo a serem mães. Por isso nem estou reclamando muito por meu médico ainda não ter dado sinal de vida depois de voltar do congresso. Fico feliz pela oportunidade de ser acompanhada por um especialista que está se atualizando junto a um time de pessoas de vários países empenhadas em estudar a reprodução humana. Espero até o fim dessa semana voltar com novidades sobre meu próximo tratamento. A menstruação está prevista para sexta ou sábado.

Para quem quiser ler mais sobre o tema infertilidade, o blog da ESHRE tem alguns artigos muito interessantes (em inglês).

domingo, 10 de julho de 2016

"Quando você tiver filho, a gente conversa"

Essa semana ouvi essa frase. Se tivesse sido a primeira vez que essa pessoa tivesse me dito isso, teria achado ok. Mas foi, sei lá, a quarta ou a quinta. E fiquei com raiva, gente. Com raiva como não gostaria de ter ficado, mas foi como reagi. Ouvir aquilo estragou o meu dia.

O fato em discussão que a motivou a falar isso pra mim era quase público, não era nada sobre o filho ou a família dela, sobre quem nunca opino nada. Tenho mesmo o maior cuidado para não emitir opiniões que não me cabem e me esforço sempre para não julgar o diferente. Mas acredito que sou apta a opinar sobre assuntos que envolvem maternidade e paternidade, apesar de não ser mãe.

Nossas opiniões podem ser diferentes, mas por favor não venha desqualificar o que eu penso somente porque você tem filho e eu não. Provavelmente, quando eu for mãe, vou continuar discordando de você, porque meus princípios são bem distintos dos seus. É isso que faz com que você não goste da minha opinião.

Claro que, por ser uma mulher que tenta engravidar sem sucesso há quase quatro anos, fico mais abalada quando escuto uma frase dessas. Mas acho que uma mulher que não quer ter filhos também não deve achar super legal.

E, de fato, tem muitas coisas que não sei sobre o que é ser mãe, não sei como é sentir enjoos, não sei como é entrar em trabalho de parto, como é um parto, como é voltar pra casa com um bebê tão pequeno, não conseguir dormir para amamentá-lo, não sei como é amamentar, viver em permanente estado de alerta de preocupação com a criança, sentir esse amor maior que a vida, entrei muitas outras coisas que quero tanto aprender. Dói quando alguém me diminui por eu não ter passado por nada disso.

Por um mundo com um pouco mais de empatia e sensibilidade.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Especialistas defendem que meninas de 9 anos sejam informadas sobre relógio biológico

Li hoje uma notícia sobre especialistas ingleses que defendem que meninas de 9 anos sejam informadas sobre seus relógios biológicos, que traduzo livremente abaixo.

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O diretor da Sociedade Britânica de Fertilidade (BFS) e professor da universidade de Leeds, Adam Balen, acredita que as crianças devem aprender desde cedo sobre fertilidade.

"É algo que temos discutido muito na BFS. Há preocupações de que isso possa diluir a mensagem de que adolescentes devem evitar engravidar e ainda temos que alertar sobre doenças sexualmente transmissíveis, mas também precisamos garantir que jovens tenham uma melhor compreensão sobre a fertilidade", afirmou Balen à Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia".

Uma pesquisa da BFS feita no início deste ano descobriu que 4 entre 5 jovens com idades entre 16 e 24 anos erroneamente achavam que a fertilidade feminina só começava a cair após os 35 anos. Na realidade, esse declínio pode começar antes mesmo dos 30 para algumas mulheres.

Balen acredita que as meninas precisam aprender cedo sobre a importância da alimentação saudável, de se exercitar e de não fumar para garantir que seus corpos mantenham-se em forma para engravidar.

"Precisamos passar essa mensagem cedo e consistentemente para que os hábitos sejam corretos desde o começo. Eu não acho que as adolescentes se exercitem o suficiente, por exemplo", ele disse. "Precisamos criar oportunidades de ter essas conversas. Deveríamos começar na pré-puberdade, por volta de 9 e 10 anos, quando elas já são maduras o suficiente para entender essas questões."

Mas nem todos concordam e outros especialistas argumentam que 9 anos pode ser muito cedo para se ter uma discussão sobre começar uma família.

Norman Weels, do Family Education Trust, disse que "Há sem dúvidas uma hora e um local para comunicar a mensagem sobre a queda da fertilidade feminina e sobre o fato de que a maternidade não pode ser adiada indefinidamente. Mas a maioria dos pais acham que esse momento não é antes da puberdade e em uma sala de aula de uma escola primária". 
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Eu não sei se 9 anos é ou não a idade correta. Mas o que sei é que esse tema precisa, sim, urgentemente, entrar na agenda educacional e na agenda do mundo. Não dá para as mulheres (e os homens também) ficarem achando que só depois dos 35 - ou dos 40, como muita gente pensa - é que pode haver dificuldade. Não dá para uma mulher ir ao ginecologista e não ser informada sobre infertilidade. Não dá para o mundo ficar te cobrando um filho, te fazendo perguntas inconvenientes, te pressionando dia após dia.

Fala-se tanto em empoderamento atualmente, mas ainda falta muito para empoderar a mulher que não consegue engravidar. Não conseguir ser mãe não é uma possibilidade que exista na sociedade. Fertilização in vitro é só coisa de artista que aparece na Caras - que, assim como muitos veículos de comunicação, insiste em chamar o procedimento de inseminação artificial, como se fosse a mesma coisa.

Só que não é a mesma coisa. E as pessoas precisam saber disso. Disso e de mais um montão de coisas ligadas à reprodução feminina.

Um adendo: resolvi editar o post só para deixar claro que acredito que o empoderamento deva acontecer para que a mulher possa tomar a decisão que ela escolher. Eu aqui falo sempre do meu lugar, que é de uma mulher que quer ser mãe e que não consegue engravidar. Lamento muito - e vou morrer lamentando - não ter sido informada de possíveis dificuldades com mais clareza, não ter sabido mais cedo do meu problema ovariano, não ter podido pensar na possibilidade de começar a tentar antes dos 30. Mas acredito muito que lugar de mulher é onde ela quiser e sou contra a ditadura de que só é feliz e pleno quem tem filho!