segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Um mais um é sempre mais que dois

Sexta-feira, véspera de carnaval e de férias, consegui agendar a ultrassonografia para as 17h. Acabou sendo ótimo, porque o local estava super vazio e foi bem tranquilo. Fui em um centro coberto pelo plano, com um médico indicado por uma amiga e, mal ele começou a fazer o ultrassom, já apareceram de cara duas manchas!





Sim, são dois! Dois! Gêmeos! Dois sacos gestacionais e duas vesículas vitelínicas, com dois embriões ainda muito, muito pequeninos, mas cujos corações já pulsam. Por ser muito cedo, não deu para ouvir os corações, mas pudemos ver na tela uma pulsação. Não fiquei preocupada por não termos escutado os batimentos, pois sabíamos que, com 5 semanas, era muito provável que não fosse possível e o ultrassonografista nos tranquilizou quanto a isso.


Tenho dois seres mais ou menos do tamanho de uma cabeça de alfinete pulsando dentro de mim. Nem nos meus sonhos mais loucos eu imaginava engravidar de dois - como sempre foi tão difícil, achava que, quando conseguisse, provavelmente seria um só. Estou radiante com a notícia, mas com bastante medo também, pois sei que uma gravidez gemelar apresenta mais riscos, especialmente nessa fase inicial.

Estávamos com planos de fazer uma viagem de carro no carnaval, mas esperamos fazer a ultra para ver o que a clínica orientaria. A médica de SP me ligou pouco depois de eu ter enviado o laudo e disse que achava puxado (seriam cerca de 7 horas de carro, é longe mesmo) e, embora não houvesse nenhuma contraindicação médica comprovada, ela sugeria que eu pensasse bem, porque eu poderia me sentir mal na estrada, ou ter alguma intercorrência lá e ter dificuldade para achar socorro. Eu já estava bem insegura com a viagem e, depois da opinião médica, marido se convenceu que não havia porque arriscar mesmo e decidimos ficar no Rio.

Ela me recomendou:

  • Usar repelente;
  • Usar filtro solar;
  • Evitar relação sexual até a oitava semana;
  • Não fazer exercícios físicos;
  • Não pular carnaval;
  • Evitar subir muita escada.
Então meu carnaval está sendo o menos carnavalesco de todos os últimos anos. Eu amo carnaval, mas realmente não vejo porque arriscar ficar horas em pé, debaixo de sol, sem lugar decente pra fazer xixi, me alimentando mal (muito embora isso esteja acontecendo em casa, já explico). Sem dor no coração (só um pouquinho, vai), abri mão de ir ao camarote na Sapucaí no sábado e no domingo - tínhamos ingresso pros dois - e não vi a cor de nenhum bloquinho. 

Para falar a verdade, desde sexta eu comecei a ficar bem enjoada. A sexta, que tinha tudo para ser um dia tranquilo só organizando as coisas pré-ferias, bombou no trabalho e eu com vontade de vomitar no computador, acabei tomando um Dramin B6. E assim continuei no sábado e no domingo, com muito enjoo, até tomar água me dá vontade de vomitar, assim como qualquer comida saudável. Não estou tolerando nenhuma salada e nem legume, as únicas coisas que consigo comer (e ainda assim, pouco), são comidas que deveria evitar, como massas e salgados. Eu, que amo doces, não estou conseguindo comer nada com açúcar - só um pouco de sorvete que alivia o enjoo porque é geladinho. Queria muito estar me alimentando bem, mas está difícil, gente...

Pelo menos as cólicas fortíssimas pararam, de vez em quando só sinto umas bem levinhas, que mal chegam a incomodar. 

Mas não estou reclamando de nada disso, apenas relatando como está sendo esse início pra mim. Na verdade fico até "feliz" de estar enjoada, pois sei que é um sintoma muito comum, especialmente em uma gestação gemelar. É sinal de que meus pontinhos de luz continuam aqui dentro e crescendo. Ontem à noite o enjoo passou e eu, juro, comecei a ficar preocupada. Mas hoje de manhã voltou com força. 

Vou repetir a ultrassonografia na sexta-feira a pedido da clínica. Embora o ultrassonografista tenha pedido para refazer em duas semanas, a médica que avaliou meus últimos exames pediu que eu repetisse essa semana. E claro que vou obedecê-la. Espero que já dê para ouvir os coraçõezinhos. 

Ah, também já marquei obstetra no dia 10 de março. Muito ansiosa por essa consulta.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Cinco semanas e cólica forte com hora marcada

Na madrugada de sábado pra domingo, acordei sobressaltada sentindo uma cólica muito forte. Que me fez chorar de dor. Sabia que podia tomar Buscopan composto, mas não tinha em casa. Marido liga pra farmácia 24h, que primeiro não queria entregar no nosso endereço, e depois disse que só entregava acima de R$ 20 - nervosa e com dor, falo pro marido pedir mais um desodorante, sei lá. Como a dor continuava, liguei pro telefone de emergência da clínica. Como sempre, uma enfermeira atenciosa me disse que era normal e que era pra eu tomar o remédio de 6h em 6h.

A farmácia chegou, tomei o remédio e a dor foi aliviando. No domingo fiquei basicamente de repouso em casa. E de domingo pra segunda tive uma noite tranquila. Mas de segunda pra terça E de terça pra quarta eu acordei na madrugada com cólica fortíssima. De ontem pra hoje eu contei no relógio e durou cerca de 20 minutos a dor intensa.

Na terça de manhã uma médica da clínica me ligou, depois que relatei que quase desmaiei na hora que levantei pra pegar o remédio. Ela me disse que era normal, que até 12 semanas eu posso sentir isso, que se tiver sangramento também é normal. Como só tive a cólica, me tranquilizou. Mas, quando se repetiu pela terceira noite, fiquei assustada e perguntei se não devia antecipar a ultra. Responderam que sim, então vou fazer nessa sexta (24/2) em vez de só dia 2/3. Sei que não devemos conseguir ouvir o coração, mas estou apreensiva com essas cólicas, então prefiro fazer logo.

Quero crer que é apenas meu útero distendendo-se para abrigar meu bebê, mas é que a dor é tão, mas tão forte, que me dá medo de ser algo errado. Não faço ideia de como seja a dor de uma contração de parto, mas se eu tivesse que chutar, diria que são como as dores que senti nas últimas madrugadas. O curioso é que a dor forte aconteceu mais ou menos no mesmo horário nas três noites, como se fosse a cada 24 horas. Quando o pico da dor passa, volto a dormir e fico o dia inteiro bem, somente com cólicas leves vez ou outra, mas bem leve mesmo. Se alguém tiver sentido isso ou souber de alguém que sentiu, me conta?

Comecei a sentir também um pouco de enjôo e estou me policiando pra comer a cada duas horas. Hoje fiz assim e fiquei bem menos enjoada. Continuo indo trabalhar de carro e não de metrô. Pode ser uma precaução boba, mas, depois de tudo que passei, prefiro prevenir.

Ah, era pra eu repetir o beta amanhã, mas fiquei com medo e me antecipei. Fiz hoje o exame e o resultado foi 35.247. Ansiosa pelo que vai dar pra ver na ultra de sexta.

ATUALIZAÇÃO: Na noite passada eu NÃO tive cólica. Estava até com medo de dormir e sentir novamente a dor. Mas consegui dormir bem. Espero que continue assim.






domingo, 19 de fevereiro de 2017

Este é o tempo ansiado de se ter felicidade

Segunda-feira, 13/2, havia decidido fazer o exame de sangue na hora do almoço para que ficasse pronto só no fim do dia e, assim, não tivesse a tentação de ver antes de estar com o marido. Assim o fiz, corri na hora do almoço, o laboratório tava vazio e levei menos de 20 minutos - ninguém nem percebeu no trabalho. Na hora de ir embora, peguei carona com uma amiga, e senti um pouco de cólica, bem leve.

Cheguei por volta das 18h e marido umas 19h30, quando então fomos abrir o site do laboratório para ver o resultado. Cheios de medo, clicamos no último exame e... não estava pronto ainda! Resolvemos então jantar e, depois, entramos de novo, para constatar que ainda estava amarelinho e não havia saído nenhum resultado - nem do Beta HCG, nem da progesterona ou do estradiol, os três hormônios que colhi. Antes de dormir, mais uma olhada, em vão: até 23h não havia nenhum resultado disponível. Rindo de nervoso da minha estratégia falida de fazer o exame na hora do almoço, não nos restou outra opção a não ser ir dormir.

Às 4h, levantei para fazer xixi e marido acordou também. Decidimos dar mais uma olhada no celular e nos deparamos com o número abaixo:

Eu li logo o resultado e falei "está positivo". Mas não consegui acreditar, passei o celular pro marido conferir "vê se é isso mesmo que acho que vi errado". Mas não, não estava errado. Era um positivo, um baita de um positivo. Ficamos incrédulos nos olhando na madrugada, a ficha não tinha caído - e na real ainda não caiu. E o pior: era madrugada de segunda para terça e na terça eu viajaria a trabalho e passaria duas noites fora, não daria nem tempo de curtir direito a notícia. Dali a duas horas eu já acordaria, iria pro trabalho e de lá direto pro aeroporto. E foi o que aconteceu, tirando que eu não consegui dormir, fiquei frenética procurando coisas na internet até umas 6h, quando levantei para me arrumar.

Então todo esse cenário tornou o positivo ainda mais surreal. Na hora do almoço, me ligaram da clínica para dizer que os exames estavam excelentes! E pediram que eu repetisse o Beta na quarta-feira (15/2), o que pra mim seria impossível por conta da viagem. A enfermeira então disse que eu poderia fazer na quinta (16/2) sem problemas.

Passei três dias em estado meio de choque, longe de casa, trabalhando pra caramba, achando tudo totalmente surreal e pensando que depois, quando eu contar pras pessoas, vou dizer "pois é, lá em BH tinha acabado de saber." Fiquei preocupada de dar alguma bandeira entre o pessoal do trabalho, mas acho que ninguém desconfiou de nada - até porque não tinha nada para desconfiar. Continuei sentindo apenas umas cólicas leves em alguns momentos do dia, mas nem cheguei a tomar remédio.

Na quarta, depois do evento, fui até um shopping perto do hotel e comprei, enfim, um teste de farmácia. Meu medo era tanto que não fiz nenhum teste antes do Beta. Depois de tantos xixis no palito nos últimos quatro anos, finalmente as listrinhas com quem tanto sonhei apareceram. Foi muito rápido. Em poucos segundos a segunda listra apareceu bem forte.



Marido estava insistindo para que eu comprasse um teste de farmácia e, curiosamente, parece ter acreditado mais neste do que no próprio exame de sangue. Eu filmei para mandar pra ele a transformação do teste, mas foi tão rápido que o filme ficou bem ruim e não deu pra ver grandes coisas. Mas nossas duas listrinhas estavam lá!

video


E eu precisava resolver como faria para repetir o beta na quinta-feira. Teria uma reunião na quinta de manhã e meu voo sairia do aeroporto às 14h, chegando no Rio às 15h. Até daria tempo de pegar algum laboratório aberto por aqui, mas seria corrido, eu com mala, mochila com computador etc, seria bem confuso. Com o marido, concluí que o melhor seria fazer em um laboratório por lá. Pesquisei na internet e vi que tinha um bem avaliado a sete minutos de carro do hotel. Como o combinado com duas colegas seria sair às 8h30 para o escritório, daria tempo se eu fizesse tudo bem cedinho. Então acordei 5h45, e às 6h15 já estava no uber indo pro laboratório - ainda fazia noite.

Fiquei com medo de ter fila, mas havia apenas duas pessoas na minha frente e o atendimento foi todo bem rápido. Infelizmente não consegui fazer pelo plano porque tinha somente o pedido por e-mail, e o laboratório não aceitou, mas acabei pagando particular porque o valor era três vezes menor do que no Rio e em São Paulo! Colhi novamente o Beta HCG, estradiol e progesterona.

Às 7h estava entrando de volta no hotel, torcendo muito para não encontrar ninguém do trabalho, porque todo mundo me acharia muito doida de estar chegando de uber a essa hora da manhã. Mas deu tudo certo, ninguém me viu e eu fui direto pro café da manhã. No quarto, lembrei de tirar o band-aid do braço!

O laboratório disse que o Beta sairia às 17h30 da quinta-feira, mas fiquei atualizando loucamente o site e nada! Liguei pra lá umas 18h e pediram que eu saísse e entrasse de novo que todos os resultados estavam liberados. E tcharam:


O valor havia quadruplicado em menos de 72 horas! Se já havíamos achado o valor do primeiro beta bem alto, esse então superou qualquer expectativa. Mas não quis ficar me prendendo muito à possibilidade de uma gestação múltipla, porque na internet tem de tudo: mulher com beta altíssimo e um bebê só, mulher com beta não tão alto e trigêmeos. Somente com o ultrassom vai dar para se certificar.

Na sexta-feira recebi mais uma ligação da clínica e, dessa vez, a enfermeira me disse, com essas palavras: "Seus exames estão excelentes. Está com toda cara de ser mais de um. Mas já tive pacientes com beta alto que não tiveram gêmeos, então tem que esperar o ultrassom de confirmação".

Hoje estou com 4 semanas e 4 dias. Ainda é muito, muito cedo. Na próxima quinta, quando estiver com 5 semanas, vou repetir o Beta. E o ultrassom será feito somente no dia 2/3, quando estiver com 6 semanas. Queria fazer logo, mas estou tentando me convencer de que há chances de não dar pra ver nada e eu ficar frustrada e angustiada.

Agradeço muito, imensamente, a todo mundo que ficou na torcida por mim. Não atualizei o blog antes porque quis ficar com a notícia um pouco só pra gente. Foram tantos anos nessa batalha, ainda é difícil acreditar que seja verdade. Estou num misto de querer gritar para o mundo e não querer falar nada para ninguém por medo e prudência. Mas agora finalmente o sol raiou e os jardins estão florindo, como diz a música de Elton Medeiros que eu tanto amo e com a qual fecho esse post. O meu primeiro post grávida!

ai! ardido peito
quem irá entender o teu segredo?
quem ira pousar em teu destino?
e depois morrer do teu amor?

ai! mas quem virá?
me pergunto a toda hora
e a resposta é o silêncio
que atravessa a madrugada

vem meu novo amor
vou deixar a casa aberta 
já escuto os teus passos
procurando meu abrigo

vem, que o sol raiou
os jardins estão florindo
tudo faz pressentimento
que este é o tempo ansiado
de se ter felicidade.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Socorro não estou sentindo nada


Google : Days of the Week
Essa semana teve tudo isso menos o drink!
Desde a quinta-feira, 2/2, dia da transferência, estou com essa parte da música do Arnaldo Antunes na cabeça. É que esses dias são os mais tensos da vida. Você sabe quais podem ser os principais sintomas do início de uma gravidez, você quer senti-los, mas a verdade é que não está sentindo nada. Ou nada do que gostaria de sentir.

D1 (2/2) - No dia da realização da transferência fiquei o dia todo deitada depois que cheguei ao hotel - levantei só para ir almoçar na cozinha, que ficava a alguns passos de distância. À noite marido comprou um lanche que comemos no próprio quarto. Para não ficar muito tempo em pé, não tomei nem banho (#honestidade), mas tinha tomado de manhã, tá?

D2 (3/2) - As 24 horas de repouso foram completadas ao meio-dia de sexta-feira, quando eu então tomei banho e saímos para almoçar com um casal de amigos em São Paulo. Fomos de uber. Depois andamos um pouquinho até um cinema, onde vimos o filme "Estrelas além do tempo". Andamos mais um pouco depois para lanchar e pegamos um uber pro hotel. Não senti absolutamente nada o dia todo, tirando a tristeza por saber que os dois blastocistos remanescentes não evoluíram. A enfermeira ligou quando estávamos entrando no cinema e, quando ela perguntou "você pode falar um pouquinho?" eu já sabia que a notícia não seria boa. Ela me disse para não ficar triste pois os que implantamos estavam excelentes, mas é claro que tínhamos esperança de que eles pudessem evoluir e ser congelados. Infelizmente não deu.

D3 (4/2) - Dia de voltar para o Rio. Pegamos o voo das 8h10 e antes das 10h já estávamos em casa. No avião senti um pouco de cólica, bem fraquinha. Em casa, dormi até a hora do almoço e à noite fui ao cinema ver "La la land".

D4 (5/2) - Almoço de família e uma ida rápida ao shopping pra comprar um travesseiro. Nenhuma sensação diferente.

D5 (6/2) - Dia de voltar ao trabalho. Até tinha mais folgas para tirar, mas como está um período bem agitado, acabei voltando mesmo. Para evitar as andanças no metrô, decidi ir de carro a semana toda. Sentada no computador de manhã cedo senti um pouco de tontura.

D6 (7/2) - No trabalho senti umas pontadas na hora de fazer xixi pouco antes do almoço. Cheguei em casa me sentindo bem quente e medi minha temperatura, que estava 36,8°. Claro que faz muito calor no Rio de Janeiro, coloquei o termômetro às 18h30 e não deitada logo após acordar como deve ser, mas achei quente.

D7 (8/2) - Medi a temperatura ao acordar (6h28) e estava 36,2°. Quentinha, mas nada que não houvesse acontecido antes e que não pudesse ser "culpa" da progesterona e do estradiol que continuo tomando em doses altas.

D8 (9/2) - Na hora do almoço tomei um café e comi um brigadeiro. Há uma semana que estava sem tomar café e sem comer chocolate, então fiquei me sentindo culpada. Muito embora a clínica não faça nenhum tipo de restrição alimentar, até o álcool eles liberam, só pedem para "não exagerar". Saí do trabalho e fui ao shopping. No trajeto, enquanto dirigida, senti uma pontadas do lado direito e, saindo de lá, fiquei enjoada, mas pode ter sido porque estava com fome.

D9 (10/2) - Cheguei em casa e a temperatura estava 36,9°.  Me sinto bem quente o dia todo. À noite comi um hambúrguer que me deu dor de barriga instantânea. Desculpem por esses detalhes, mas é que, segundo o Google, até diarreia pode ser sintoma de gravidez, então estou registrando tudo. Como estou me alimentando bem a semana inteira, o hambúrguer com o molho super gorduroso pode simplesmente não ter caído bem.

D10 (11/2) - Hoje acordei sentindo uma cólica bem leve. Pouco antes do almoço fiquei meio enjoada - mas novamente pode ter sido a fome.

D11 (12/2) - Depois eu atualizo se sentir alguma coisa amanhã.

D12 (13/2) - Será o dia do Beta, aquele dia que eu mais temo, em que toda e qualquer coragem que eu tenho desaparece. Vou fazer o exame na hora do almoço, pois assim vai demorar mais a ficar pronto e eu não vou ter a tentação de olhar antes do marido. Queremos ver juntos.

Além desses (não) sintomas acima, estou com a garganta bem seca - sabe quando tem horas que você não consegue segurar a tosse e precisa correr para pegar um copo de água? Estou assim a semana toda. E de vez em quando sinto um pouco de dor de cabeça, mas nada insuportável ou que me faça tomar remédio. Também rola um corrimento, que me parece ser totalmente normal por conta da progesterona vaginal, mas às vezes é quase uma água.

Não estou com os seios doloridos ou sensíveis, estão até um pouco mais inchados, mas sei que a medicação faz isso mesmo, das outras vezes foi assim. E tampouco tive qualquer sinal de sangramento de nidação, o sintoma mais esperado a cada vez que vou fazer xixi.

Procurei me alimentar bem a semana inteira. Fiz um cardápio saudável que segui direitinho, com bastante frutas e legumes, e no almoço no trabalho também fui light - tirando o brigadeiro de quarta-feira e o hambúrguer de ontem. Quando pude, evitei subir e descer escadas, mas não foi possível só pegar elevador e escada rolante o tempo todo.

Continuo tomando o Materna, Coenzima, Vitamina D, Vitamina C, além do estradiol 2 vezes ao dia da progesterona 3 vezes ao dia. E é isso. Falta pouco para segunda-feira, o dia que quero que chegue logo, mas, ao mesmo tempo, não sei se quero que chegue.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

A transferência

Já passaram-se seis dias desde a transferência e eu ainda não tinha conseguido/tido vontade de escrever. Mas agora estou aqui, não sem antes agradecer a todas pelo enorme carinho - a rede de solidariedade virtual é incrível e ainda me surpreende.

A transferência foi agendada para 11h45 do dia 2 de fevereiro, a última quinta-feira. Como sempre tem que ter um pouco de emoção, quando fui fazer o check-in do voo, que seria na quarta à noite, vi que o voo estava cancelado! E aí, faz o quê? Fica desnorteada por um tempo, mas decide ir pro aeroporto mesmo assim - chega lá e descobre que outros voos vão partir, o temporal havia melhorado em Congonhas, então vai rolar de remarcar e inclusive de antecipar. Mas, cadê que achavam nossas reservas? "Senhora, sua reserva não está no sistema." Embora estivesse no meu celular, não aparecia no balcão da companhia aérea. Nisso, marido, que estava preso num engarrafamento indo direto do trabalho pro aeroporto, chega e tenta resolver, enquanto eu ligo pro sistema de milhagens, fico esperando vários minutos e não sou atendida. Por fim, nossas reservas foram localizadas: o nome tava no lugar do sobrenome e vice-versa. Ufa!

Já estávamos preparados para ir direto pra rodoviária para pegarmos um ônibus - porque não podíamos arriscar um voo cancelado na manhã da transferência, mas acabou dando tudo certo. Chegamos em SP na última ponte e fomos direto pro hostel, onde ficamos num quarto privativo bem tranquilo. A principal vantagem: colado na clínica, tipo a dez passos de distância.

Na quinta-feira acordamos cedo e inventei de ir fazer a unha antes da transferência e marido me acompanhou num salão de beleza pela primeira vez em oito anos e meio. Tínhamos que chegar à clínica uma hora antes do horário agendado e lá estávamos nós, às 10h45, eu já enchendo o copo de água. Como tinha bebido uma garrafinha pequena de água (330ml), tomei mais um copo e uma água de coco de caixinha que me ofereceram na clínica - tudo isso para encher a bexiga e permitir que a transferência seja realizada por meio do ultrassom. A bexiga cheia serve de "guia" - como o útero fica embaixo dela, quando ela está cheia a visualização do útero fica bem melhor e o procedimento ocorre com precisão.

Como essa foi minha quarta transferência embrionária, aprendi que não precisa encher muito a bexiga, como já fiz anteriormente. Porque a bexiga muito cheia faz com que o procedimento seja mais incômodo. A enfermeira vai fazendo um ultrassom abdominal para guiar o médico e ela aperta a barriga para tal, então quando a bexiga tá muito cheia acaba doendo. Não é incomum que mulheres acabem fazendo xixi bem nessa hora!

Não demorou muito para sermos chamados quando chegamos à clínica. Logo subimos para o Centro Cirúrgico e lá coloquei a camisola, a touca de cabeça, os protetores de pé e ficamos esperando. Um tempinho depois a embriologista chegou para nos dar a notícia.

Na terça-feira, dia 31, soubemos que dos oito óvulos fertilizados, sete embriões se formaram, sendo 5 de melhor qualidade (com 6 a 8 células) e dois de menos qualidade (com 5 células).O Na quarta-feira, não tivemos mais notícias, porque, por ser um dia importante de desenvolvimento (D4 para D5), eles não avaliam os embriões. Então foi só na quinta que soubemos que, dos sete embriões, três tiveram seus desenvolvimentos bloqueados, dois chegaram ao estágio ideal de blastocisto expandido e dois chegaram a blastocisto, mas ainda não estavam no estágio ideal, então seriam deixados mais um dia para evoluir. Assim sendo, implantaríamos os dois blastocistos!

Fui andando para a sala do Centro Cirúrgico, acompanhada do marido, e nosso médico logo chegou. Não nos víamos pessoalmente desde setembro, data do nosso último procedimento em SP. Eu já estava deitada na cama (?) ginecológica. Ele fez a limpeza - ao contrário de outras transferências que fiz, a limpeza foi bem rápida e não envolveu água, o que achei mais cômodo. A limpeza é necessária por causa da progesterona vaginal que estou usando e atrapalha a visualização do colo do útero.

Eu nem percebi que, junto com a limpeza, o cateter já havia sido inserido. Pela janelinha (é a mesma coisa em toda as clínicas), a embriologista passou os embriões para o médico, que logo fez a inserção (é um cateter dentro do cateter, bem fininhos e indolores). Logo vimos os pontinhos de luz inseridos no meu útero - ele sinalizou ter colocado bem na parte mais espessa do meu endométrio. Foi tudo super, super rápido.

Quando acabou, o médico ficou falando várias coisas, mas eu não estava prestando atenção porque estava segurando o choro. Quando ele saiu, caí num pranto meio descontrolado. Não queria ter chorado, queria ter permanecido calma, otimista e feliz, mas simplesmente não consegui. Demorei um pouco até conseguir me acalmar.

Após o procedimento, eles pedem que a paciente fique 15 minutos de repouso, deitada, com as pernas dobradas. Como ainda não estava muito apertada para fazer xixi, fiquei quase 45 minutos deitada com a perna dobrada. Só então fomos embora, andei os 20 passos da clínica até o hostel, e fiquei deitada para o repouso de 24 horas solicitado pela clínica - foi a primeira vez que me passaram repouso após transferência.

Pedimos uma comida pelo iFood e saí do quarto até a cozinha do hostel para almoçar. Depois voltei e permaneci deitada pelas próximas 24 horas, levantando só para ir ao banheiro. Fiquei feliz de ter feito repouso, sempre fiquei nervosa de sair da transferência já levando vida normal - fui até liberada para trabalhar diretamente depois.