sábado, 21 de maio de 2016

Sessão de terapia



Na quinta-feira, depois da consulta em São Paulo, tive a minha primeira sessão de terapia. Em março deste ano eu já havia procurado uma psicóloga. Ela estava tentando formar um grupo de apoio para mulheres com dificuldade para engravidar e achei que poderia ser de grande valia. Marquei uma consulta individual, mas rolou zero empatia. Achei que ela minimizou a minha questão, dizendo que era "só" isso que me "incomodava", que meu problema era muito focado e por isso não via sentido na terapia individual. Me encaminhou para a de grupo. Até estava disposta, mas o grupo acabou não se formando e ela perdeu uma paciente.

Eu nunca havia feito terapia nos meus 33 anos. Não por duvidar ou desacreditar, mas por não ter sentido necessidade mesmo. Mas, desde que a infertilidade apareceu na minha vida, venho pensando nisso, sempre adiando por conta dos custos, afinal, a prioridade sempre foi guardar dinheiro pras FIVs. Até que uma amiga do trabalho me indicou uma psicanalista do nosso plano e eu resolvi marcar.

Inicialmente ela disse que o consultório estava cheio e me encaminhou para um colega. Mas fiquei relutante em procurar um homem. Quando ela me mandou whatsapp me perguntando se eu havia gostado da indicação, eu fui sincera e então ela disse que daria um jeito de me atender.

E lá fui eu, na quinta-feira, para a primeira sessão de terapia que, na verdade, não é terapia mas psicoanálise. Confesso que nunca soube bem a diferença, mas ela me explicou rapidamente. Enquanto a terapia trabalha a consciência, a psicoanálise atua na inconsciência. A análise também é uma terapia mais longa, enquanto a terapia costuma ser mais focada. Além disso, o psicoanalista, que pode ser psicólogo ou médico, precisa de supervisão e se submete também à psicoanálise. Em linhas bem gerais é isso.

Disse a ela que não tinha muita certeza do que estava buscando e pedi que me dissesse se achasse que o meu caso não era adequado à sua linha de atuação. Mas, assim que comecei a contar a longa história, ela falou "Que bom que você veio". Espero mesmo que seja bom e que me ajude, de alguma forma, a administrar a ansiedade, as frustrações e os medos e a fazer com que eu volte a ter interesse em outras coisas, a ter vontade de sair e de socializar com pessoas, porque estou perdendo tudo isso. Minha vida passou a girar somente em torno da infertilidade e tenho plena consciência de que bem isso não faz. Só que não consigo evitar.

Acho, inclusive, que as clínicas poderiam ser mais enfáticas ao oferecer também apoio emocional. Na primeira clínica, somente após três FIVs negativas a psicóloga me procurou. Quase todas contam com um profissional de psicologia especializado e esse suporte deveria ser sugerido a todos os casais que iniciam um tratamento. Claro que aceitaria quem quisesse, mas, ao explicar o protocolo, o médico especialista em reprodução poderia ressaltar os benefícios que um acompanhamento psicológico pode trazer ao processo. Mas a verdade é que, por mais paradoxal que seja, já que o trabalho deles é justamente gerar vidas, ainda me parece faltar humanização a muitas clínicas e especialistas em reprodução.

10 comentários:

  1. A terapia vai ser lhe ajudar muito. Faço terapia desde do ano passado e realmente não sei como que conseguiria passar por tudo sem ajuda.

    Beijos

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  2. Que coisa mais bacana, moça! Vou até mandar uma mensagem pra vc via e-mail.
    ;)
    bjs

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  3. Terapia ajuda muito a gente voltar a se centrar... você fez bem em procurar um apoio. Não faz milagres, mas ajuda.
    Beijinhos...

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    1. Ah sim, mas só me ajudar um pouco já vai ser bom. Bjo!

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  4. Nossas histórias são realmente muito parecidas!
    Procurei a terapia quando nem tinha tentado nenhum método de tratamento...
    No início a questionava demais! Achava que faltava uma posição mais impositiva dela em relação a diagnóstico. É aquela velha história, a gente procura um tratamento médico de "tome esta pílula e ficará td bem", ou "Você está com "febre emocional", três dias de repouso e td se resolverá..." Maaaasss infelizmente as coisas não são assim.
    Quando tomei consciência disso, passei a relaxar mais nas sessões, me concentrar em dizer o que estava sentindo sem esperar nada dela em troca... Foi quando ela me deu alta... Seria esta a cura???? rsrsrsr
    Brincadeiras a parte, no fim das contas e no balanço geral, o saldo foi mais positivo que negativo.
    Boas terapias! Relaxe e aproveite este momento que é só seu!
    Super beijo!
    Ah! Não esqueci de te mandar aquele e-mail... Em breve entro em contato assim que as coisas aqui no serviço ficarem mais amenas...

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    1. Interessante seu processo. De repente foi isso mesmo que levou à "cura". Me escreve sim quando puder. Bjos!

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  5. Nunca fiz terapia, mas confesso q recentemente após a perda senti ate necessidade. Busquei outros meios de ajuda por falta de tempo para as consultas.
    Aproveite, ouço dizer q em geral ajuda muito.
    Bju

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    1. Estou apenas no começo e descobrindo como é esse processo, mas pode ser que te ajude nesse processo após a perda, pense com carinho nisso. Beijos

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